11 de fevereiro de 2012

Materiais: recursos que ajudam a formar

Olá !
Bom, como atualmente estou na educação infantil, precisei recorrer a algumas anotações e pesquisar um pouquinho sobre a área. Compartilho com vocês este artigo muito interesante, que aborda a importancia que os recursos têm na formação da criança e como escolher levando em conta a fase dp desenvolvimento infantil que as crianças estejam.
Espero que gostem!
http://www.smec.salvador.ba.gov.br/site/documentos/espaco-virtual/espaco-educar/educacao-infantil/artigos/escolher%20o%20brinquedo%20certo....pdf

4 de fevereiro de 2012

Vídeos sobre educação infantil

Compartilhando nesta postagem alguns vídeos sobre a educação infantil






Sobre planejar na educação infantil

olá!
Vou compartilhar aqui com vocês um texto que estudei no período de formação, e que agora precisei recorrer para realizar um planejamento para educação infantil. Na época , este foi um dos textos que eu mais gostei, a linguagem é bastante acessível e simples, o texto é gostoso e fácil de compreensão.
Espero que gostem!

PLANEJAMENTO NA EDUCAÇÃO INFANTIL…MAIS QUE A ATIVIDADE. A CRIANÇA EM FOCO
Luciana Esmeralda Ostetto

No âmbito da educação infantil tem crescido a preocupação relacionada a “como planejar “ o trabalho educativo com as crianças de zero a seis anos em geral, e em particular com as menores de três anos. Tal preocupação pode ser relacionada ao fato de que, mais e mais, a educação infantil dirigida às crianças de zero a seis anos ganha estatuto de direito, colocando-se como etapa inicial da educação básica que devem receber as crianças brasileiras, respeitando os preceitos constitucionais. Tanto creches quanto pré-escolas, como instituições educativas, têm uma responsabilidade para com as crianças pequenas, seu desenvolvimento e sua aprendizagem, o que reclama um trabalho intencional e de qualidade. Na intencionalidade do trabalho reside a preocupação com o planejamento. O que fazer com as crianças, principalmente as bem pequenas? Seria possível “fazer atividades” com crianças do berçário (turmas com até um ano de idade), além de prever-lhes cuidados físicos (alimentação, higiene, sono etc.)? Se possível, que tipo de atividades prever? Como planejar?
Essas seriam questões de simples forma ou de complexos fundamentos? Pensar em planejamento seria apenas uma questão de como e do que fazer ou, além disso, principalmente, uma questão de para que e para quem fazer?
Certa vez fui convidada a conversar com as professoras de uma determinada instituição de educação infantil sobre planejamento. Sendo eu professora do curso de Pedagogia, pareceu-me, inicialmente, que as professoras gostariam que eu desse “a linha” do “como planejar” o trabalho com as crianças de zero a seis anos. Diante dessa desconfiança, comecei a conversa propondo que cada uma colocasse no papel qual o problema que enfrentava com o planejamento. Eu pretendia localizar as indagações, as incertezas e as angústias vividas pelo grupo de professoras na sua prática de planejamento do trabalho pedagógico, pois em qualquer discussão é imprescindível a localização da pergunta para podermos ir atrás das possíveis respostas. Na minha idéia, só poderia conversar com aquelas professoras, de forma significativa, se soubesse por onde andavam suas perguntas sobre a questão do planejamento. Era mesmo um problema? Por que? Qual a estrutura do planejamento? Qual o jeito para planejar? De que forma sistematizar, ou como registrar no papel o planejamento? Como organizá-lo, se os objetivos que traçamos não dão conta da complexidade do processo? Como registrar, no planejamento, a riqueza do cotidiano? Como captar o movimento? O trabalho é dinâmico , mas o planejamento é formal e isso não dá! Como delimitar pontos para trabalhar, num vasto universo de possibilidades? O que priorizar? Como colocar no planejamento do dia-a-dia o lúdico, o prazer, sem aquele “ranço” escolar?
Essas perguntas compõem um quadro geral do que foi levantado no encontro e podem bem servir de base para um ensaio sobre o planejamento na educação infantil, uma vez que, em certa medida, são muito representativas das questões comumente formuladas por educadores que atuam na educação infantil. Porém, começo a discussão me reportando para uma questão de base, que envolve fundamentos e que não aparece entre as perguntas mais frequentes: o que é planejamento? Buscando dialogar com as preocupações levantadas, prossigo afirmando que planejamento não pode ser confundido com uma ficha preenchida formalmente com uma lista do que se pretende fazer na sala de aula.
O planejamento educativo deve ser assumido no cotidiano como um processo de reflexão, pois, mais do que ser um papel preenchido, é atitude e envolve todas as ações e situações do educador no cotidiano do seu trabalho pedagógico. Planejar é essa atitude de traçar, projetar, programar, elaborar um roteiro pra empreender uma viagem de conhecimento, de interação, de experiências múltiplas e significativas para com o grupo de crianças.
Planejamento pedagógico é atitude crítica do educador diante de seu trabalho docente. Por isso não é uma fôrma! Ao contrário, é flexível e, como tal, permite ao educador repensar, revisando, buscando novos significados para sua prática pedagógica. O planejamento marca a intencionalidade do processo educativo mas não pode ficar só na intenção, ou melhor, só na imaginação, na concepção. Ninguém diria que não é necessário escrever o planejamento. A intencionalidade traduz-se no traçar, programar, documentar a proposta de trabalho do educador.
Documentando o processo, o planejamento é instrumento orientador do trabalho docente. Mas como escrever? De que forma? Voltamos à questão inicial que é praticamente a questão central presente entre as perguntas daquelas educadoras: a forma, o jeito! Seria esse o real problema envolvido no planejamento? Seria essa a dificuldade reclamada por tantos educadores? Poderíamos indagar, para seguir adiante: por que a preocupação, tão forte entre os educadores, sobre a forma do planejamento e sobre como estruturá-lo? É impossível falarmos da forma de planejar sem colocar em evidência o conteúdo que lhe serve de base, sem fazer relação com os seus fundamentos. Se olharmos a questão sob a ótica de seus fundamentos (O que é um planejamento na educação infantil? Para que e para quem ele é elaborado?) não será difícil concluirmos que o problema da forma é um problema aparente. De outro modo: se os educadores têm claro o que, para que e porque quem planejar, não vai importar como está traduzido no papel. Nesse caso, a forma não vai alterar o produto. O fundamental, como nos diz o professor José Fusari “não é decidir se o plano será redigido no formulário X ou Y, mas assumir que a ação pedagógica necessita de um mínimo de preparo”. Na verdade, penso até que a forma de escrever um planejamento, no dia-a-dia, deve ser muito pessoal e, principalmente, funcional para o eeucador. Então, se ele necessita de tudo explicadinho, passo por passo, para não “se perder” entre uma e outra ação do cotidiano, ele assim o faz. Se, ao contrário, para ele “se achar” necessita apenas listar tópicos, pode assim proceder.
A questão não é a forma, mas os princípios que sustentam uma ou outra organização. Sem dúvida, a elaboração de um planejamento depende da visão de mundo, de criança, de educação, de processo educativo que temos e que queremos: ao selecionar um conteúdo, uma atividade, uma música, na forma de encaminhar o trabalho. Envolve escolha: o que incluir, o que deixar de fora, onde e quando realizar isso ou aquilo. E as escolhas, a meu ver, derivam sempre de crenças ou princípios.
Como um processo reflexivo, no processo de elaboração do planejamento o educador vai aprendendo e exercitando sua capacidade de perceber as necessidades do grupo de crianças, localizando manifestações de problemas e indo em busca das causas. Vai aprendendo a caracterizar o problema para, aí sim, tomar decisões para superá-lo. O ato de planejar pressupõe o olhar atento à realidade. Na perspectiva de ampliar a discussão, apresento a seguir um exercício de análise sobre as formas mais comuns de planejamento encontradas na prática da educação infantil. Como indiquei, os comentários e o próprio recorte de caracterização de diferentes tendências no planejamento são aqui elaborados como exercício de reflexão. Como reflexão, esse exercício traz consigo marcas e idéias muitas vezes discutidas em aulas e orientações de estágio no curso de Pedagogia, em cursos de formação e em reuniões com educadores. Considerando, então, conteúdo e forma, poderíamos apresentar as seguintes perspectivas: planejamento baseado em “listagem de atividades”, por “datas comemorativas”, baseado em “áreas de desenvolvimento”, baseado em “áreas de conhecimento”, por “temas”.
Planejamento baseado em listagem de atividades
Esse tipo de planejamento poderia ser considerado um dos mais rudimentares, pois está baseado na preocupação do educador em preencher o tempo de trabalho com o grupo de crianças, entre um e outro momento da rotina (higiene, alimentação, sono etc). O professor busca, então, organizar vários tipos de atividades para realizar durante cada dia da semana. Dessa forma, como seu planejamento é diário, vai listando possíveis atividades para as crianças desenvolverem, como por exemplo:
Segunda-feira: Modelagem com massinha, quebra-cabeças, audição de histórias, preenchimento de exercícios em folha mimeografada.
Terça-feira: recorte e colagem, jogos recreativos, música com gestos, confecção de dobraduras
E assim sucessivamente, no dias subsequentes e a cada semana, repete-se a dinâmica de atividades. A prática pedagógica resume-se, aqui, às chamadas atividades, ou a “hora da atividade”, uma vez que os outros momentos da rotina, mais ligados aos cuidados das crianças, não são planejados, sendo mesmo secundarizados. Por isso dissemos no início que esse tipo de planejamento é rudimentar, pois não vem embasado em qualquer princípio educativo explícito. O que o define é a necessidade de ocupar as crianças durante o tempo em que permanecem na instituição.
Nesse sentido, quase não pode ser classificado como planejamento, uma vez que a intencionalidade do educador não está marcadamente definida considerando princípios educativos, muito embora exista por trás dessa prática uma concepção, mesmo que implícita, de criança e educação infantil. Poderíamos assinalar que a criança que aparece é uma criança passiva, sem particularidades ou necessidades específicas, que espera pelo atendimento do adulto, sem nada a dizer ou expressar. Por outro lado, a instituição de educação infantil revela se como espaço de cuidados ou, como diria Khulmann Jr, como um espaço de educação assistencialista, onde a educação oferecida à criança é de baixa qualidade, mais moral que intelectual. Podemos associar, aqui, uma prática da instituição como guarda ou depósito de criança, enquanto os pais estão trabalhando. Ou seja, as atividades previstas estão planejadas de acordo com o tempo e não com o desenvolvimento e a aprendizagem das crianças.
Em termos de concepção de educação infantil, poderíamos perceber tal perspectiva dentro da chamada “função guardiã” atribuida às primeiras instituições pré-escolares. Nos dias de hoje, esse tipo de organização de planejamento, ou mais especificamente, essa preocupação dos educadores em preencher o tempo das crianças com atividades fica evidenciada, por exemplo, em cursos de formação, em que os educadores, “cansados de cursos teóricos”, reivindicam sugestões de atividades, idéias, novidades para realizar com as crianças.
O planejamento baseado em datas comemorativas
Nessa perspectiva, o planejamento da prática cotidiana é direcionado pelo calendário. A programação é organizada considerando algumas datas, tidas como importantes do ponto de vista do adulto. Também aqui são listadas várias atividades, só que as mesmas se referem a uma data específica, a uma comemoração escolhida pelo calendário. Assim, ao longo do ano seriam realizada atividades referentes ao Carnaval, ao Dia de Tiradentes, ao Descobrimento do Brasil, ao Dia do Índio, à Páscoa, ao Dia do Trabalho, ao Dia das mães, e assim por diante, conforme as escolhas da instituição ou do educador, segundo o que ele julgue relevante para as crianças, ou conforme seja possível desdobrar em atividades para realizar com as crianças. Por exemplo:
Dia do Índio – atividades: música do índio e imitação, confecção do cocar do índio (com cartolina), dançar e cantar como índio, pintar desenho do índio, recortar figuras do índio. Qual o critério para a escolha das datas a serem trabalhadas em atividades pedagógicas? Que concepção de história perpassa tais escolhas? Poderíamos dizer que o trabalho com as datas comemorativas baseia-se numa história tomada como única e verdadeira: a história dos heróis, dos vencedores. História que, na verdade, privilegia uma visão ou concepção dominante em detrimento de tantas possíveis, ignorando e omitindo, na maioria das vezes, as diferentes facetas da realidade. Por isso, a escolha é sempre ideológica, pois algumas datas são comemoradas e outras não. Além disso, quem também lucra com as datas comemorativas é o comércio, que aproveita os “dias de “ para vender suas mercadorias, fazendo-nos crer que as pessoas e coisas só merecem ser lembradas uma vez por ano e não diáriamente como de fato deveriam.
A marca do trabalho com as datas comemorativas é a fragmentação dos conhecimentos, pois em determinada semana os professores trabalham o início da primavera, na outra já entram com o Dia da Criança, tudo isso trabalhado superficialmente e de forma descontextualizada.
Na mesma direção, podemos perceber a elaboração ou proposição de “trabalhinhos” “lembrancinhas”, dancinhas, teatros geralmente destituídos de reflexão, por parte do educador, que em momento algum pára para pensar no significado disso tudo para as crianças, se está sendo “gratificante”, enriquecedor para elas. O educador acaba sendo um repetidor, pois todos os anos a mesma experiência se repete, uma vez que as datas se repetem. Talvez uma atividade aqui outra lai, um ou outro trabalhinho seja renovado, mas o pano de fundo é o mesmo.
Em relação às implicações pedagógicas, essa perspectiva torna-se tediosa na medida em que é cumprida ano a ano, o que não amplia o repertório cultural da criança. Massifica e empobrece o conhecimento, além de menosprezar a capacidade da criança de ir além daquele conhecimento fragmentado e infantilizado. Quem disse que 1º de Maio é Dia do Trabalho? Há razões para se comemorar este fardo (???)?
Em questão de data, não seria relevante falar sobre o dia do trabalhador, revelando o sujeito que está por trás da atividade produtiva? Por que é comemorado o Dia de Tiradentes e não se comemora o Dia de Zumbi, que aliás sequer consta do calendário comum? E a semana da Pátria? Que pátria é essa, de fome e miséria, desemprego e desmandos políticos? O que é o Brasil, o que é ser brasileiro, hoje? Além de todas essas considerações, é possível perceber no planejamento baseado em datas comemorativas a mesma problemática da modalidade anterior. Ou seja, o planejamento acaba sendo planejamento de atividades, a organização prevê listagem de atividades, mesmo que, aparentemente, pareça estar articulando atividades de um mesmo assunto ou tema, no caso a data escolhida para ser trabalhada.
A articulação é aparente justamente porque não amplia o campo de conhecimento para as crianças, uma vez que as datas fecham-se em si mesmas, funcionando mais como pretexto para desenvolver esta ou aquela atividade ou habilidade. Se na perspectiva anterior a listagem era: modelagem com argila, recorte-colagem, pinta de desenho mimeografado, na perspectiva das datas comemorativas teríamos, por exemplo, no Dia do Índio, modelagem da “casa” do índio, com argila, recorte-colagem de figuras de índios ou do que eles comem, pintura de desenho de índio mimeografado. “Ah! Mas na sociedade todos falam, todos comemoram essas datas!” As crianças vêm prá creche falando… “ É certo que as crianças trazem para a creche o que vivem, ouvem e vêem fora dela. Mas será argumento suficiente essa evidência? Qual o papel da instituição de educação infantil, repetir/reproduzir o que circula na sociedade em geral ou discutir e questionar os conteúdos e vivências que trazem as crianças? É apenas “respeitar” a realidade imediata da criança, ou ampliar sua visão de mundo? É discutir e negociar significados ou legitimar um sentido único, veiculado nas práticas comemorativas de consumo?
Planejamento baseado em aspectos do desenvolvimento
O planejamento por áreas de desenvolvimento revela uma preocupação com os aspectos que englobam o desenvolvimento infantil. Nessa direção, várias são as áreas contempladas, sendo mais comum a indicação dos aspectos físico-motor, afetivo, social e cognitivo. Nessa perspectiva nota-se a preocupação em caracterizar a criança pequena, dentro dos parâmetros da psicologia do desenvolvimento, o que indica uma preocupação com as especificidades da criança de zero a seis anos. O planejamento, então, toma tais características e aspectos para determinar objetivos a partir dos quais serão organizadas atividades que estimulem as crianças naquelas áreas consideradas importantes. Por exemplo:
Desenvolvimento afetivo – Objetivos: estimular a criatividade; estimular a motivação; estimular a curiosidade.
Atividades: 1) Artes Plásticas (desenho, pintura, construção com sucata, recorte e colagem etc.); Música: 3) Dramatizações 4) Histórias
Assim, dentro desse quadro e com base nesses objetivos definidos para cada área de desenvolvimento infantil, o educador planeja seu dia-a-dia, especificando, no caso citado acima, que música, que história, que dramatização, que atividade de artes plásticas vai propor. Essa perspectiva de planejamento, se, por um lado, parece considerar particularidades do desenvolvimento infatil, acaba por secundarizar ou mesmo desconsiderar questões relacionadas à construção do conhecimento, à aprendizagem. Por outro lado, a delimitação de áres de desenvolvimento para orientar o planejamento parte, geralmente, de uma referência geral e universal de desenvolvimento, tomado como regra ou como padrão de normalidade para toda e qualquer criança. Ao estabelecer tal referência na universalidade, toma por certo a existência de uma criança ideal e, por isso, não leva em conta a criança real, concreta, historicamente situada, com características diferenciadas, determinadas pelo seu contexto ou origem sociocultural.
Esse tipo de planejamento representa, sem dúvida, um avanço se comparado às modalidades apresentadas anteriormente, principalmente porque coloca como ponto de partida a criança, o seu desenvolvimento. Só que… é um desenvolvimento ideal, de uma criança também ideal… como já fiz notar. Da mesma forma, se o curso do desenvolvimento infantil é considerado critério primeiro (e único) para a ação educativa com crianças de zero a seis anos, aspectos sociais e políticos são minimizados. Poderíamos dizer que, em termos de tendências presentes na educação infantil, essa proposta de planejamento situa-se no campo da “pré-escola com objetivos em si mesma”, uma vez que privilegia o desenvolvimento da criança na fase em que se encontra não apontando qualquer articulação com as fases posteriores. Ou melhor, o desenvolvimento pretendido encerra-se ou fica circunscrito no período pré-escolar, sem menção a conteúdos, habilidades ou outros aspectos ligados à escola de ensino fundamental. Este ponto, aliás, servirá de crítica para outras proposições que, ao contrário desta, vão colocar em evidência a criança no processo de aprendizagem e os conhecimentos socialmente produzidos, buscando articular educação infantil e escola primária.
Planejamento baseado em temas (tema integrador, tema gerador, centros de interesse, unidades de experiência)
Neste tipo de planejamento, o “tema” é o desencadeador ou gerador de atividades propostas às crianças. O “tema” busca articular as diversas atividades desenvolvidas no cotidiano educativo, funcionando como uma espécie de eixo condutor do trabalho.
No trabalho organizado com base em “temas”, pode-se visualizar a preocupação com o interesse da criança, colocando-se em foco suas necessidades e perguntas. Os temas escolhidos pelo professor, sugeridos pelas crianças ou surgidos de situações particulares e significativas vivenciadas pelo grupo indicam o trabalho a ser desenvolvido. Nesta direção, além da preocupação em trabalhar aspectos que façam parte da realidade da criança, são delimitados conteúdos considerados significativos para a aprendizagem dos alunos. Em regra, é significativo todo aquele conteúdo e/ou conhecimento que faz parte da realidade imediata do aluno.
A delimitação do “tema” seria o primeiro procedimento a ser tomado para, em seguida, prever que atividades poderiam ser desenvolvidas com base nesse “tema” delimitado. Geralmente esse tipo de organização prévê, para seu encaminhamento, uma sequência de atividades para a semana, relacionadas ao estudo do “tema” em questão, como por exemplo: atividades sobre o circo, os animais, o bairro, a família, etc, com sentido de continuidade entre elas. Dessa forma, as propostas não ficariam soltas nem seriam desenvolvidas por elas mesmas, para “ocupar” o tempo das crianças na instituição de educação infatil. Na proposição de atividades motivadas pela temática escolhida, haveria uma intencionalidade explícita, tanto na articulação entre todas as atividades planejadas como nos conhecimentos envolvidos.
O que percebemos na prática dos educadores, entretanto, é que a escolha do tema acaba sendo um pretexto para a listagem de atividades. Ou, de outro modo, como já testemunhei, muitas vezes o tema transforma-se numa verdadeira “camisa-de-força” imposta pela coordenação de uma instituição a todos os educadores: dos bebês às crianças de seis anos, mês a mês são escolhidos os mesmos temas para planejamento. Os acontecimentos do mundo que rodeia a criança também podem virar temas geradores de atividades.
Os aspectos sociais e culturais que dizem respeito á vida em sociedade são particularmente importantes e deveriam ser contemplados. Assim, na época em que o fenômeno chamado “El Nino” esteve em pauta na sociedade, não raro vimos o tema ser trabalhado com as crianças, em creches e pré-escolas. Seria “El Nino” uma problemática significativa para as crianças pequenas, para uma creche inteira, ao mesmo tempo? Cabe, então, a pergunta: o que é significativo para as crianças de dois anos é igualmente significativo para as crianças maiores? O que interessa às crianças em diferentes idades? Se, por um lado, a perspectiva centrada na delimitação de temas que desencadeiem atividades educativas parece estar imbuída de intencionalidade pedagógica, representando um avanço em termos de encaminhamento do trabalho na educação infantil, reforçando seu caráter pedagógico, por outro lado parece criar uma falsa articulação de todo o trabalho. Isso porque, sob o pretexto de uma certa temática, as atividades desenvolvidas podem se repetir mecanicamente. Explico. Com o tema “O Circo” visita-se um circo, conta-se história de circo, dramatizam-se as personagens, desenha-se, compõe-se texto coletivo sobre o circo etc; com o tema “O bairro”, visita-se um bairro conta-se história do bairro, dramatizam-se as profissões existentes no bairro, desenha-se o bairro, compõe-se texto coletivo sobre o bairro etc.
Parece que a preocupação primeira é ainda a realização da atividade e não os conhecimentos envolvidos, o questionamento da criança, sua pesquisa e exploração. Toma-se o tema como uma fôrma, dentro da qual um ou outro ingrediente pode ser trocado, mas o produto vai sair do mesmo jeitinho, sob o controle do formador.
Planejamento baseado em conteúdos organizados por áreas de conhecimento
Uma tendência bastante evidente nos últimos anos é a que contempla conteúdos organizados por áreas de conhecimento. Vários currículos para a educação infantil, marcadamente em fins dos anos 80 e início dos anos 90, trazem consigo essa marca de planejamento que, podemos dizer, se relaciona claramente com a defesa da pré-escola como espaço pedagógico e, portanto, lugar de conhecimento. Nesta perspectiva, a pré-escola deve contribuir com a universalidade de conhecimentos socialmente acumulados, pois ao mesmo tempo em que a criança se desenvolve, está adquirindo e também produzindo novos conhecimentos.
Na defesa do “espaço de aprendizagem”, pode-se visualizar nesta perspectiva a busca de articulação com o ensino posterior, oferecido nas séries iniciais do ensino fundamental. O canal de articulação é aqui o conhecimento socialmente produzido e historicamente acumulado pela humanidade.
De um modo geral, o planejamento que segue essas orientações segue apontando noções a serem trabalhadas na pré-escola, contemplando conteúdos básicos das quatro grandes áreas de conhecimento: língua portuguesa, matemática, ciências sociais e ciências naturais. A entrada em cena das “áreas de conhecimento” trouxe maior consistência para o trabalho com os temas, uma vez que as atividades previstas, a partir da delimitação de qualquer tema,deveriam “pertencer” a tais áreas, articulando-as.
Os conteúdos decorrentes da língua portuguesa, da matemática, das ciências sociais e naturais dariam o norte para um trabalho intencional com a criança de quatro a seis anos, de modo a favorecer a ampliação de seus conhecimentos. Parecia ter-se chegado, enfim, ao tão propalado, defendido e almejado caráter pedagógico da pré-escola, superando o simples guardar ou desenvolver as potencialidades das crianças.
Socializar os conhecimentos produzidos pela humanidade: essa era uma meta da pré-escola que estava sendo viabilizada por meio de uma proposta que incorporava no seu planejamento cotidiano o estudo de conteúdos pertencentes às diversas áreas do conhecimento. Foi um tempo em que defender o conhecimento explícito através de noções e conteúdos determinados significava romper com práticas assistencialistas, de guarda e cuidado.
Em certa medida, a instituição de educação infantil virou escola, os educadores, professores e as crianças, alunos. Porém… nem tudo correu bem no cotidiano da educação infantil, com essa direção empreendida. A realidade continuou a questionar: e os bebês? Como ensinar matemática e ciências aos bebês? E agora, é escola mesmo? O caráter das perguntas que eram levantadas por muitos educadores revelava que algo nas propostas “conteudistas” não estava indo bem. E não era no “modo de fazer” mas nos próprios “ingredientes”. Questionaram-se nesse encaminhamento o tal caráter pedagógico e a especificidade da educação infatil (localizada entre a casa e a escola). Esse ponto, associado à não-inclusão dos bebês nas propostas, suscitou a crítica e a continuação da indagação: como planejar? Agora traduzido em: o que considerar nesse planejamento?
Da crítica às possibilidades do compromisso à prática: Repensando o planejamento do trabalho na educação infantil, incluindo os bebês!
Qualquer análise das tendências recortadas aqui não pode deixar de ressaltar um aspecto evidente: as propostas de planejamento encaminham o trabalho com as crianças maiores, entre quatro e seis anos. E para as menores? Essa é uma pergunta que, por si só, serve para questionar a viabilidade de tais propostas. É uma pergunta que está na base dos questionamentos que hoje em dia vêm fazendo os educadores que trabalham em instituições do tipo creche, com crianças entre zero e três anos de idade. Que direção imprimir ao trabalho? O que considerar no planejamento? Como organizá-lo? Velhas questões colocadas lá no início, que acompanham o educador em busca da qualidade de seu fazer educativo, de profissional da educação infantil.
Mesmo procurando associar os tipos de planejamento citados anteriormente com uma determinada visão de educação infantil, explicitando seus fundamentos, fico tentada a perguntar se qualquer uma das perspectivas, no limite, não poderia ter sucesso. (Não, não, nada disso! É apenas uma provocação…) Mas, é preciso destacar, penso que qualquer proposta de planejamento, na ação, vai depender, em muito, do educador: do compromisso que tem com sua profissão, do respeito que tem para com o grupo de crianças, das informações de que dispõe, da formação que possui, das relações que estabelece com o conhecimento, dos valores nos quais acredita etc… pois, de modo geral, como já indiquei, vejo o planejamento como atitude.
O planejamento não é bom ou ruim em si. Tomado como intenção, está submetido à direção que lhe imprimem. Não adianta ter um “planejamento bem planejado”, se o educador não constrói uma relação de respeito e afetividade com as crianças; se ele toma as atividades previstas como momentos didáticos, formais, burocráticos; se ele apenas age/atua, mas não interage/partilha da aventura que é a construção do conhecimento para o ser humano.
Para mim, elaborar um “planejamento bem planejado” no espaço da educação infantil significa entrar na relação com as crianças (e não com os alunos!), mergulhar na aventura em busca do desconhecido, construir a identidade de grupo junto com as crianças.
Assim, mais do que conteúdos da matemática, da língua portuguesa e das ciências, o planejamento na educação infantil é essencialmente linguagem, formas de expressão e leitura do mundo que nos rodeia e que nos causa espanto e paixão por desvendá-lo, formulando perguntas e convivendo com a dúvida.
Trabalhando com metodologia e prática de ensino da educação infantil (para o curso de Pedagogia), essas preocupações estão sempre colocadas (que orientação dar às estagiárias?) e acredito que a sistematização aqui apresentada, como reflexão, foi também uma tentativa de construir um quadro da nossa história, dos momentos pelos quais passamos na defesa da educação das crianças pequenas. De modo geral, muitas das práticas aqui reunidas e comentadas forma, em momentos determinados, ideários do curso de Pedagogia. Vendo e revendo as perspectivas adotadas, as experiências realizadas, concluo que hoje um dos grandes desafios é pensar a educação de crianças de zero a seis anos de forma articulada, lançando luzes mais fortes sobre a prática desenvolvida com crianças de zero a três anos. Com esse desafio, no espaço dos estágios, temos discutido possíveis caminhos. Em l997 um grupo de estagiárias elaborou seu projeto de estágio abordando a questão dos instrumentos metodológicos do educador: o planejamento, articulado ao registro e à avaliação.
O projeto, com o instigante e sugestivo título “Três cabeças que não se entendem passam fome de tanto pensar… Reflexões sobre planejamento, registro e avaliação”, reunia preocupações, dúvidas e reflexões de estagiárias e profissionais da instituição de educação infantil na qual se realizava o estágio. Muitas dessas discussões ganharam também o espaço de nossas aulas e, num crescente processo de busca, fomos ensaiando propostas de planejamento que contemplassem o que considerávamos objetivos indissociáveis (cuidar e educar) e que pudessem oferecer uma referência, um chão para o educador que atua com grupos de crianças menores de três anos encaminhar seu trabalho.
A proposta que íamos construindo na discussão – e que depois experimentamos – fundou-se na análise das perspectivas (apresentadas anteriormente) que conhecíamos e que praticamos no curso de nossa experiência de educadores (minha e das alunas, muitas delas já educadoras atuantes). Marcadamente, baseou-se na constatação de que tais propostas de planejamento “não davam conta” da especificidade da educação infantil, principalmente por não incluírem a creche, os bebês.
A partir dessa constatação, alguns aspectos foram sendo pontuados e discutidos, entre eles a idéia, muito presente, de se planejar a “hora da atividade”. Será que o planejamento na educação infantil compreende somente a chamada “hora da atividade”, momento pedagógico por excelência? Se assim fosse, pobres bebês, não poderiam desfrutar dessa hora! Afinal, o que se pode fazer com eles, em meio a tanto choro, fraldas, banhos, mamadeiras, colos, sonos? “Nem falam, nem andam, completamente dependentes… Não há muito o que fazer com eles, ou melhor, não dá para fazer “atividade pedagógica, só cuidar…” reclamam alguns educadores. Essa reclamação revela, justamente, a especificidade da educação infantil. O que parece problema, para lidar com os bebês, é característica primeira da instituição que os atende: prover-lhes cuidado e educação. Ora! O caráter pedagógico está marcando e envolvendo todo o cotidiano, pois hoje sabemos, “ao atender o bebê, o adulto não apenas lhe dá cuidado físico mas o insere no mundo simbólico de sua cultura ao interpretar suas expressões, gestos, posturas” (Oliveira et alii 1992).
Na mesma direção podemos afirmar, como indicou Machado (1996,) que o pedagógico não está na atividade em si, mas na postura do educador, uma vez que “não é a atividade em si que ensina, mas a possibilidade de interagir, de trocar experiências e partilhar significados é que possibilita às crianças o acesso a novos conhecimentos”.
O pedagógico, então, não está relacionado somente àquelas atividades coordenadas ou dirigidas pelo educador, realizadas geralmente na mesa, com todas as crianças, envolvendo materiais específicos – em regra papel, lápis, caneta… -, e que resultam num produto “observável”. O pedagógico também envolve o que se passa nas trocas afetivas, em todos os momentos do cotidiano com as crianças; perpassa todas as ações: limpar, lavar, trocar, alimentar, dormir. De que forma são realizadas essas ações? Isso conta muito na definição do que é pedagógico! Enfim, o pedagógico envolve cuidado e educação, os tais objetivos colocados hoje, claramente, para a instituição de educação infantil (Ostetto 1997).
Neste contexto, na instituição de educação infantil deve haver espaço para as diversas linguagens e para a brincadeira. Aliás, ao falarmos em planejamento, é bem oportuno perguntar: quanto temos brincado com as crianças? Ensinamos as crianças a brincar? Permitimos que brinquem? Ajudamos o grupo de criança a estruturar repertórios que enriqueçam suas brincadeiras? Há, enfim, espaço para a criança de brincadeiras, nas nossas salas, nos diversos ambientes da instituição em que trabalhamos com as crianças? Como garantir essa articulação? Como garantir a especificidade dessa instituição? E a linguagem? O que temos feito dela em nossas salas de trabalho? Quantas formas de expressão ganham lugar no dia-a-dia com a criança? Há espaço para a diversidade de dizeres e saberes das crianças? Há espaço para as cores do arco-íris ou para azuis e amarelos, somente? Pode rabisco? E sol com olhos e boca? E boneco sem braço? E árvore vermelha? Pode cantar, correr, movimentar-se? E ouvir histórias? E recitar poesias? E narrar coisas vividas? Quantas linguagens estão presentes em nosso grupo? Cem? Uma? Quantas (Ostetto 1997)
Certamente, muito do caráter educativo-pedagógico passa por tais vivências: de interações, linguagens múltiplas e brincadeiras. Aspectos que, muitas vezes, estão adormecidos no adulto, ou esquecidos nos passados (longínquos…?) anos da infância. São dimensões que precisam ser resgatadas no adulto-profissional da educação infantil que constrói e reconstrõi sua competência dia a dia; que busca uma ação intencional, voltada ao atendimento de qualidade para a criança pequena, articulando necessidades vitais para o seu crescimento, garantindo cuidado e educação no planejamento do cotidiano.
Tendo no horizonte esses entendimentos e questionamentos, na tentativa de romper com a tão enraizada “hora da atividade”, fomos ampliando a compreensão do cotidiano educativo, concordando que (…) a atividade educativa da creche não ocorre apenas em momentos especialmente planejados para tal, o horário das “atividades pedagógicas”, mesmo que tais atividades já tenham sua concepção ampliada e modificada para incluir as brincadeiras e os passeios das crianças ou a confecção de um bolo por estas etc.
A atividade educativa da creche também inclui o que se passa nas trocas afetivas entre adultos e acrianças, durante o banho, às refeições, no horário de entrada e em outras situações. O educador e o bebe interagindo enquanto este está tomando banho, ou as crianças conversando durante o almoço, estão trocando experiências e significados, ampliando seu repertório de ações (Oliveira et alii 1992) Fomos construindo o conceito de “situações significativas”, ampliando o de simples atividade que estaria contida nas situações significativas.
Chegamos à conclusão de que planejar na educação infantil é planejar um contexto educativo, envolvendo atividades e situações desafiadoras e significantes que favoreçam a exploração, a descoberta e a apropriação de conhecimento sobre o mundo físico e social. Ou seja, nesta direção o planejamento estaria prevendo situações significativas que viabilizem experiências das crianças com o mundo físico e social, em torno das quais se estruturem interações qualitativas entre adultos e crianças, entre crianças e crianças, e entre crianças e objetos/mundo físico.
Nessa perspectiva, outro ponto que passamos a incluir foi a previsão do espaço. Embora se diga que planejar implica pensar também “onde” e “quando vai se desenvolver uma ação, esse aspecto não era previsto comumente pelos educadores e por nós. Então passamos a explicitá-lo como elemento fundamental do planejamento. Como perceber as situações significativas? O ponto de partida é a observação das crianças: o que buscam saber sobre o mundo à sua volta, quais suas preocupações e que perguntas estão fazendo num dado momento? Afinal: para onde está direcionada a curiosidade das crianças? É necessário, pois, olhar a criança, as diferentes crianças, os movimentos do grupo. É urgente ouvir suas perguntas: no choro, no balbucio, no gesto, na palavra, na ação. A escuta é disponibilidade ao outro e a tudo que ele tem a dizer. E mais: a escuta torna-se hoje, o verbo mais importante para e pensar e direcionar a prática educativa.
Nas palavras de Carla Rinaldi (1995): Se a criança é portadora de teoria, interpretações, perguntas, e é co-protagonista do processo de construção do conhecimento, o verbo mais importante que guia a ação educativa não é mais falar, explicar, transmitir, mas escutar. A escuta é disponibilidade ao outro e a tudo quanto ele tem a dizer; é escuta das cem e mais linguagens, com todos os sentidos. É um verbo ativo, pois, como sabemos, não é só registro mas interpretação de mensagem: a mensagem ganha sentido e significado no momento em que aquele que a escuta lhe dá acolhida e valorização. É ainda um verbo recíproco: legítima o outro porque a comunicação é um dos modos fundamentais de dar forma ao pensamento, e ao ato comunicativo que se realiza através da escuta produz significativas e recíprocas mudanças, seguramente enriquecedoras, para os participantes desta forma de troca.
A reflexão levantada pela educadora italiana é extremamente pertinente e nos ajuda a pensar os caminhos do trabalho pedagógico, intencional e de qualidade, no âmbito da educação infantil. Ao ressaltar o verbo “escutar” como guia da ação educativa, creio que ela demarca uma das dificuldades que enfrentam os educadores nessa área, ao discutirem e apontarem dificuldades no planejamento. Ou seja: o problema não está na forma, no modelo de planejamento, como já discutimos ao longo do texto, mas reside no olhar a criança real, para conhecê-la e traçar projetos. Não seria esse um dos entraves do educador: a disposição para olhar e ouvir as crianças? Não seria esse um dos medos do educador: olhar e não ver? Nesse aspecto podemos fazer relação com o que dizíamos lá atrás: planejamento é essencialmente atitude. Então, questionaríamos; que atitude temos empreendido diante da necessidade de olhar e ouvir as crianças, a realidade, o mundo? “Não fomos educados para olhar o mundo, a realidade, nós mesmos.
Nosso olhar cristalizado nos estereótipos produziu em nós paralisia, fatalismo, cegueira”, diz-nos Weffort (1995). Assim, não raro, para organizar o cotidiano educativo recorremos ao modelo, ao idela, á “criança do livro”, e então produzimos uma relação e um conhecimento didatizados, burocratizados, fechados às múltiplas vozes e linguagens. Se não miramos com os olhos direcionados, fixados nas crianças, nos seus movimentos, gestos, expressões, o olhar se perde e vai parar… na “atividade”! De um ponto interno (nosso olhar), vamos par o externo (proposta de atividades) e então vagamos a buscar quem possa dar-nos respostas ao já famigerado planejamento… acontece de os educadores ficarem reféns de um livro, de uma cartilha, de um método, de uma teoria, de algum argumento de autoridade pronunciado por um especialista. E então? É urgente educarmos os ouvidos.
Reaprender a olhar é preciso! Essa é uma das principais dificuldades que devem ser enfrentadas para que o educador pegue nas mãos o seu fazer, faça sua história, construa sua experiência, considerando que “a observação é a ferramenta básica neste aprendizado da construção do olhar sensível e pensante” (Weffort 1995) e, por consequência, neste aprendizado de projetar o cotidiano.
Partindo dessas questões e desses fundamentos, e constituindo como eixos de trabalho com as crianças de zero a seis anos em instituições educativas, a interação, a linguagem e a brincadeira, chegamos a uma proposta de experimentarmos na prática, tentando, encaminhando, avaliando sua coerência e funcionalidade para o educador. A proposição caminhava na direção de se elaborar “projetos de trabalho”, em que o ponto de partida fosse a leitura do grupo, aquele olhar atento de que falei há pouco. Por que “projetos de trabalho”? Primeiro porque projeto traz uma idéia de horizonte, de perspectiva, de linhas gerais que podem, no processo, receber melhores contornos, maiores definições. Segundo, porque em seus elementos poderia incluir o trabalho com qualquer grupo de crianças, sendo para cada grupo um específico e único projeto, articulando-se somente em princípios e itens gerais. Tanto para os bebês como para as crianças maiores, o projeto seria viável considerando, entretanto, conteúdos diferenciados, conforme as próprias características de tais idades. Tal projeto de trabalho pode nascer de qualquer situação acontecida no grupo, desde que a educadora a julgue importante para favorecer a produção e a construção do conhecimento das crianças. Assim, a observação das crianças feita pelo educador pode ser considerada o grande impulso para o planejamento por projetos, por deixar de lado o “didatismo”, privilegiando o olhar da criança, o que ela pede ou questiona.
Essa “leitura do grupo” deve considerar as características da faixa etária, o contexto socioeconômico e cultura, bem como a dinâmica do grupo. (Souto-Maior 1997). O projeto de trabalho, elaborado com base na observação dos movimentos do grupo, procurando identificar seus interesses, vai se estruturando com a delimitação de: nome, justificativa, objetivo geral, assuntos-atividades-situações significativas, fontes de consulta, recursos, tempo previsto. O nome indica a direção, o horizonte tomado para o trabalho. A justificativa deve contemplar um histórico co projeto: como surgiu, por que foi escolhidos, oferecendo também um retrato do grupo, pois, como já ressaltamos, o projeto é elaborado essencialmente por meio da leitura do grupo.
Dessa forma, a justificativa revela a leitura do educador sobre o grupo no qual está inserido, permitindo visualizar a história e os caminhos já percorridos por ele. O objetivo geral traça o horizonte pretendido, apenas visualizado em seu nome. É um esboço ou direção do caminho que o educador pretende trilhar com as crianças, na aventura do conhecimento. Importante dizer que esses objetivos não são aqueles conhecidos objetivos instrucionais, comportamentais, tão ao gosto dos tecnicistas. Refere-se ao “para que” do trabalho que está sendo proposto e, portanto, os objetivos também podem contemplar perguntas, questionamentos, hipóteses do educador.
O item assuntos-atividades-situações significativos refere-se ao “o que“ fazer e trabalhar relacionado a objetivos e justificativas. Aqui o educador delineia, a partir de uma séria e intensa pesquisa, as possibilidades de trabalho, os assuntos a serem estudados, as situações a serem propostas, as atividades a serem realizadas. Note-se que falamos de assuntos-atividades-situações significativas de modo conjunto, sem hierarquizar, sem isolar umas e outras. Falamos assim no sentido de desmistificar o planejamento como o assunto, o tema, o conteúdo exclusivamente a ser trabalhado. Ou seja, ao tratarmos dos bebês não poderemos falar de “assunto” a ser estudado, a menos que falemos de uma caricatura de assunto, muito embora em diferentes situações e atividades previstas, os bebês estarão construindo conhecimento de si e do mundo. Não aquele conhecimento identificado como conteúdo, como assunto, como tema, aspectos comumente circunscritos às áreas de conhecimento classificadas como pertencentes ao âmbito escolar.
Elaborar um projeto pressupõe pesquisa, como já ressaltamos. É importante que o educador indique as fontes de consultas das quais se utiliza para construir e desenvolver o projeto. Da mesma forma, é preciso rever os recursos de que vai necessitar para viabilizar a realização do projeto. De que adianta prever um passeio se não há possibilidade de realizá-lo? Ou, de que vale sugerir que se leia um determinado livro ou que se assista a uma certa fita de vídeo se um ou outro não existem na instituição ou estão longe de ser viáveis? Não adianta, por exemplo, listar uma atividade de pintura com guache, se naquele momento a instituição não dispõe do material. Planejar sim, mas contando com a real potência de sua realização. Por isso, mais uma vez, a pesquisa é fundamental. Não posso deixar para o dia tal a averiguação da possibilidade ou existência desse ou daquele material de que vou necessitar para encaminhar meu planejamento.
Dessa forma o educador cuida para não cair na improvisação e sim para guardar coerência entre o proposto e o viável. Por último o educador, analisando os objetivos e os procedimentos, deve estabelecer um tempo para o desenvolvimento do projeto. É importante assinalar o tempo previsto não necessariamente será o tempo real, pois aqui entra a flexibilidade do planejamento, na dinâmica do dia-a-dia, com a avaliação constante do processo. Desse projeto, portanto, o educador vai retirando os elementos e as questões para o planejamento semanal e diário. Tendo alicerçado seu trabalho num projeto claro, documentado, com objetivos explícitos, com pesquisa realizada, avaliação de viabilidade, em termos de plano para o dia-a-dia, o educador poderá formular como quiser, como melhor lhe servir. Como fiz notar anteriormente, creio que a forma de colocar os itens no dia-a-dia, se decorrente de um projeto articulado, geral, pode receber a feição particular de cada educador. Apenas tem que ser funcional, tem que lhe ajudar, efetivamente, na orientação do seu fazer pedagógico cotidiano. No caso de nossa experiência, na orientaçao de estágio, propúnhamos uma organização que previa os seguintes itens: situações significativas, organização do espaço, recursos, registro, avaliação. O planejamento compreendido na ação: prever, fazer, registrar e avaliar, para então seguir planejando-replanejando de acordo com o movimento, os desejos e as necessidades do grupo. O planejamento compreendendo a atitude crítica de cada educador diante de sua prática.
O planejamento como proposta que contém uma aposta, um roteiro de viagem em que, a cada porto, incorporam-se novas perspectivas, novos roteiros, rumo a novas aventuras. O importante é exercitar o olhar atento, o escutar comprometido dos desejos e necessidades do grupo revelados em seus gestos, falas, expressões, em suas linguagens, enfim. O planejamento não é ponto de chegada, mas ponto de partida ou “portos de passagens”, permitindo ir mais e mais além, no ritmo da relação que se construir com o grupo de crianças.

Bibliografia
Cavalcante, Zelia – A história de uma classe

Fusari, José Cerchi – O planejamento do trabalho pedagógico: Algumas indagações e tentativas de respostas

Khulmann Jr, Moyses – Instituições pré-escolares assistencialistas no Brasil

Kramer, Sonia – Com a pré-escola nas mãos

Kramer, Sonia e Abramovay, Miriam – O rei está nu: Um debate sobre as funções da pré-escola

Machado, Maria Lúcia de A – Educação Infatil e currículo: A especificidade do projeto educacional e pedagõgico para creches e pré-escolas

Oliveira. Zilma de Moraes Ramos de: et alii, Creches: Crianças, faz-de-conta & Cia

Ostetto, Luciana E: Educar e Cuidar: Questões atuais sobre Educação Infantil no Brasil

Rinaldi, Carla: Cento Linguaggi dei Bambini

Schiefler, Angela R. K e Silva: Dos “power rangers” aos seres encantados: um passeio pelo mundo do faz-de-conta com crianças de 2 anos e meio a 3 anos e meio

Souto-Maior, Sara Duarte: Relato de uma aventura: Mapas, diário de bordo e tesouros organizando e transformando o trabalho do educador infantil

Projeto de estágio do curso de Pedagogia UFSC 1997Et alli: Tr~es cabeças que não se entendem passam fome de tanto pensar... Reflexões sobre planejamento, registro e avaliação

Thomas, Mónica Diniz et alii: Projeto de trabalho definindo a intencionalidade do professor

Weffort, Madalena Freire: Observação, registro, reflexão: : Instrumentos Metodológicos

28 de janeiro de 2012

Não nascemos prontos

Eu não estou preocupado com a morte, mas com a vida, para que ela não seja banal e fútil. Quando você se for, o que vai deixar?
Mário Sérgio Cortella


Olá! Mais uma vez aqui, desta vez ,quero compartilhar um pouquinho deste grande educador, e uma palestra super interessante baseada em seu livro Não Nascemos Prontos – Provocações Filosóficas.
Vamos conhecer um pouquinho sobre ele:
Mario Sergio Cortella,Professor da Pontifícia Universidade Católica, da Fundação Getulio Vargas, as duas de São Paulo, e da Fundação Dom Cabral, localizada em Belo Horizonte;
Criou a série O que a vida me ensinou, abordando diversas temáticas, tais como a verdade, a essência do ser humano, entre outras. Foi monge e seguidor de Paulo Freire, renunciou à vida religiosa,entretanto, não deixou de lado a espiritualidade, o que está sempre presente em sua obra.
Mario Sergio Cortella, com extrema singeleza discorre sobre suas vivências, temores e abordando as várias situações e desafios que enfrentou no decorrer da vida para vencer e alcançar a posição na atualidade.
No livro,O que a vida me ensinou o personagem principal é a morte. Ele discorre sobre a iminência em que a vida se encontra de chegar ao fim, da qual o Homem é o único ser vivo que tem consciência. Disso decorre que ele deveria valorizar cada instante sagrado, por saber que ele pode ser o último, e na verdade é isso mesmo. Posso até relacionar com a música Pai e filhos, da banda Legião urbana[...]É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã.Porque se você parar pra pensar.Na verdade não há...
Portanto, o autor no leva a refletir sobre a importância de se transformar a vida em algo grande, dando-lhe sentido, uma razão de ser, principalmente por meio da religiosidade, não como, organização religiosa, a qual implica na mobilização de dogmas, e rituais, livros sagrados, mas, antes de tudo, na coexistência, na solidariedade, na arte de compartilhar, na gratidão, na visão da existência como pura manifestação da beleza.
O ser humano necessita aprender a deixar sua marca no mundo,marcas positivas,é deixar às pessoas uma herança espiritual, algo que leve todos a se lembrarem dele eternamente. As pessoas sempre atravessarão crises, momentos difíceis, tempestades e inúmeros obstáculos,sempre existirão, mas ,devemos etar conscientes do valor da vida, apesar de todos estes percalços.
O filósofo, Cortella,levanta muitas perguntas essenciais nesta obra, as quais perpassam as esferas da ciência, da arte, da filosofia e da religião, alguma dela: porque existimos, assim como tudo que nos cerca? Qual, afinal, a razão de nossa vida?
Mário acredita em uma íntima ligação entre a vida humana e uma força maior, justamente o que responde nossos questionamentos.

Já na obra “Não Nascemos Prontos – Provocações Filosóficas” ,ele aborda questões relacionadas ao grande desafio humano, que segundo ele, é resistir à sedução do repouso, pois nascemos para caminhar e nunca para nos satisfazer com as coisas como estão. Ou seja, ermo ativistas e nunca passivos as situações, ele cita a insatisfação , como um elemento indispensável para quem, mais do que repetir, deseja criar, inovar, refazer, modificar, aperfeiçoar.
Assumir esse compromisso é aceitar o desafio de construir uma existência menos confortável, porém ilimitada e infinitamente mais significativa e gratificante.

Vamos assitir a palestra juntos, espero que gostem!





Resumo da biografia
Mario Sergio Cortella (ca. 1954) é um filósofo brasileiro, mestre e doutor em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, onde também é professor-titular do Departamento de Teologia e Ciências da Religião e da pós-graduação em Educação (Currículo), além de professor-convidado da Fundação Dom Cabral e do GVpec da FGV-SP.
Foi secretário municipal de Educação de São Paulo (1991-1992) e é autor, entre outros livros, de A Escola e o Conhecimento, Nos Labirintos da Moral, com Yves de La Taille, Não Espere Pelo Epitáfio: Provocações Filosóficas, Não Nascemos Prontos! e O que a Vida me Ensinou - Viver em Paz para morrer em Paz. Fez o programa "Diálogos Impertinentes" na TV PUC, no Canal Universitário.
FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Mario_Sergio_Cortella

Referencias bibliográficas:
http://umavidanovaparaumaananova.blogspot.com/2010/11/viver-em-paz-para-morrer-em-paz-mario.html
http://www.travessa.com.br/O_QUE_A_VIDA_ME_ENSINOU_VIVER_EM_PAZ_PARA_MORRER_EM_PAZ/artigo/88c4b81b-b4ee-4638-9778-8044caa4a0da
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/atitude/mario-sergio-cortella-nao-adie-seu-encontro-espiritualidade-521429.shtml
Música Pai e filhos,Legião urbana.Disponível em;< http://letras.terra.com.br/legiao-urbana/22488/> acessado em 28 de janeiro de 2012.
Entrevista - Mario Sergio Cortella. educarparacrescer.abril.com.br. Página visitada em 8 de abril de 2011.
Entrevista - Mario Sergio Cortella - Educar para transformar. filosofia.uol.com.br. Página visitada em 8 de abril de 2011.
Currículo Lattes. Página visitada em 8 de abril de 2011.

23 de janeiro de 2012

Projeto acolhendo

http://www.slideshare.net/IvaneideBS/projeto-acolhendo

Este projeto será dividido em três etapas, descritas a seguir: 1ª Etapa -Acolhimento de professores , planejamento do período de acolhimento das crianças e famílias, Organização dos ambientes (salas e espaços).
Na 2ª Etapa, já com o planejamento de acolhimento das crianças e das famílias, é feito um levantamento histórico das crianças , por meio de questionários que os pais ou responsáveis responderão, isso tendo em vista que o processo de adaptação e acolhimento inicia-se antes da entrada da criança na instituição. Portanto o objetivo é incluir as famílias no processo de adaptação, acolhendo-as.
Na 3ª Etapa , são sistematizados os resultados das observações, relatos e acontecimentos do período de adaptação. Será levado em conta o tempo , as atividades e resultados, a avaliação por meio de relatos dos pais e sugestões deixadas, vou chamar esta etapa de avaliação.

16 de janeiro de 2012

O pensador Paulo Freire

Pedagoga Ivaneide Bezerra da Silva
Olá, mais uma vez aqui para deixar registrado neste espaço algumas considerações e refletirmos juntos sobre questões de extrema relevância nos espaços e relações educacionais.

Desta feita, estarei trazendo um pouquinho sobre um educador renomado e reconhecido em vários países, sua atuação foi social, política e educacional, além de tudo isso, é brasileiro, isso mesmo, vamos conhecer um pouquinho sobre Paulo Freire.
Anexei ao final um vídeo que vai informar sobre sua vida ,obra e importância no cenário educacional. Dentre suas obras , não há como destacar uma que seja de maior importância para futuros educadores , todos trazem ensinamentos valiosíssimos. Ler a obra de Paulo freire, nos leva a refletir sobre o que é ser educador,e repensarmos nossa posição, nossos fazeres pedagógicos..

Vamos hoje refletirmos sobre algumas questões do ser educador,
Para sermos educadores , necessitamos nos autoconhecer, é importante que respeite e valorize sua história e a dos outros, potanto , exige uma autoavaliação constante. Como educador eu preciso atuar mais profissionalmente e menos passionalmente, enxergar o outro por inteiro, a comunicação é peça chave de um bom relacionamento aluno professor e vice versa, como afirma o educador Paulo Freire ,em seu livro “Pedagogia da autonomia” [...]não há docência sem discência" (p. 23), pois "quem forma se forma e re-forma ao formar, e quem é formado forma-se e forma ao ser formado" (p.25). Dessa forma, deixa claro que o ensino não depende exclusivamente do professor, assim como aprendizagem não é algo apenas de aluno. Quem ensina aprende ao ensinar, e quem aprende ensina ao aprender" (p. 25).
Paulo Freire fala do respeito ao conhecimento prévio do educando , e como saber o que o aluno já tem de conhecimento se eu não o ouso ?
Portanto o primeiro ponto para uma comunicação eficaz e que interfira positivamente no processo ensino aprendizagem é saber ouvir.
O professor é aquele que ouve o aluno, , mesmo que seja algo sem importância; mas só de ouvir e dar atenção podemos ganhar respeito e confiança do educando, além de sempre aprendermos com o que ouvimos.
Antes de expressar,é necessário que o educador saiba entender o que se passa no local ou com as pessoas, no modo delas falarem e ouvirem, as palavras ou expressões características etc. Conhecer o aluno e sua cultura, faz com que o professor se aproxime de suas realidades e consiga dar significado nos conteúdos .
Além de ouvir Freire ainda afirma que o professor precisa estar aberto ao diálogo, a fazer de suas aulas momentos de liberdade para falar, debater e ser aberto para compreender o querer de seus alunos. Para tanto, é preciso querer bem, gostar do trabalho e do educando...Olha o que ele fala sobre a curiosidade:

(...) O professor que desrespeita a curiosidade do educando, o seu gosto estético, a sua inquietude, a sua linguagem, mais precisamente, a sua sintaxe e a sua prosódia; o professor que ironiza o aluno, que o minimiza, que manda que "ele se ponha em seu lugar" ao mais tênue sinal de sua rebeldia legítima, tanto quanto o professor que se exime do cumprimento de seu dever de propor limites à liberdade do aluno, que se furta ao dever de ensinar, de estar respeitosamente presente à experiência formadora do educando, transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa existência (FREIRE. 1996 p. 66).

Este gostar para Paulo Freire , não é um gostar ingênuo de um professor licencioso, que permite tudo, mais um gostar de ver o ser humano crescendo em saber e descobrindo o conhecimento. O amor que chega ao ponto de dedicar-se, de doar-se e de trocar experiências, e um gostar de aprender e de incentivar a aprendizagem.
Este gostar também inclui o buscar do novo, a capacitar-se ,atualizar-se. Como a pesquisadora Lina Maria Braga Mendes alerta ,”O professor que dá aulas do mesmo jeito que teve aulas quando criança ou adolescente comete o erro grave de esquecer que é de outra geração”, voltando a Paulo Freire, ele afirma que a aula precisa ser bonita e ética,quando eu falo em ética , estou automaticamente me lembrando de ser justo, correto e acima de tudo me lembrando que não sou dono da verdade, que eu , assim como o educando somos seres inacabados , e portanto preciso ser hoje melhor do que fui ontem.

Agregando mais aos meus conhecimentos.


Referências bibliográficas
Freire, Paulo. Disponível em: http://www.projetomemoria.art.br/PauloFreire/biografia/index.jsp
Acessado em 16/01/2012

28 de dezembro de 2011

Dinâmicas ,por quê?

Dinâmicas, por quê?

Ivaneide Bezerra da Silva


“o que escuto eu esqueço, o que vejo posso lembrar, o que faço não esqueço”.Provérbios chinês


É quase que consensual que em todas as reuniões pedagógicas aconteçam as já tão conhecidas dinâmicas, entretanto, não só, as dinâmicas acontecem também em palestras educacionais, religiosas, empresariais, entre tantos outros eventos que se faz necessário este recurso. A questão é que, nem todos entendem o porquê das dinâmicas, elas acontecem, marcam de certa forma aquele momento específico , sem entretanto se compreender por que o trabalho se desenvolve por meio das dinâmicas, e por muitas vezes se faz o questionamento, Porque simplesmente não se fala? Porque é preciso tudo isso?.
Para a construção deste artigo vou estar acompanhada das escritoras ,Susan Chiode Perpétuo e Ana Maria Gonçalves, autoras do livro “Dinâmicas de Grupos na formação de lideranças” e também da psicanalista Sandra Regina da Luz Inácio, no artigo , “Dinâmicas de grupo - desenvolve comportamento organizacional?”, traçarei alguns comentários acerca do tema em uma breve conclusão.
 O que são dinâmicas?
Busquei uma definição na tão famosa Wikipédia e segundo o que consta Dinâmica de grupo é:

uma ferramenta de estudo de grupos e também um termo geral para processos de grupo. Em psicologia e sociologia, um grupo são duas ou mais pessoas que estão mutuamente conectadas por relacionamentos sociais.[1] Por interagir e influenciarem-se mutuamente, grupos desenvolvem vários processos dinâmicos que os separam de um conjunto aleatório de indivíduos. Estes processos incluem normas, papéis sociais, relações, desenvolvimento, necessidade de pertencer, influência social e efeitos sobre o comportamento. O campo da dinâmica de grupo preocupa-se fundamentalmente com o comportamento de pequenos grupos. Grupos podem ser classificados como agregados, primários, secundários e grupos de categoria, tambem aplicado em testes para admissão em empregos.
A dinâmica de grupo forma a base da terapia de grupo, frequentemente com abordagem terapêutica, como na terapia familiar e na terapia expressiva. Políticos e vendedores podem lançar mão do conhecimento de princípios de dinâmica de grupo para seu próprio benefício. É muito utilizada pelos setores de Recursos Humanos na seleção de candidatos a emprego. Além disso, tem despertado interesse crescente por conta da interação social online viabilizada pela internet.
FONTE: WIKIPÉDIA

Segundo as autoras, que também definem as dinâmicas como ferramentas , de grande importância no processo coletivo do ensino-aprendizagem , não devem ser únicas neste processo, e nem tão pouco devem ser excluídas ou subestimadas. Elas devem ser utilizadas com objetivos previamente traçados e especificamente direcionados , obedecendo uma determinada estratégia educativa, buscando estimular a produção do conhecimento e a recriação deste conhecimento tanto no grupo/coletivo quanto no indivíduo/singular.

As autoras ainda afirmam que dinâmicas são meios e não fins, ou seja, ferramentas a serem utilizadas com planejamento.

PERPÉTUO e GONÇALVES ,2000, explica que o trabalho por meio da técnica de dinâmica de grupo poderá facilitar a discussão de temas complexos e polêmicos, além de estimular, que sejam externados conflitos, sejam estes individuais ou de grupos, tudo isso através de jogos, brincadeiras, dramatizações, técnicas participativas, oficinas vivenciais e um ambiente descontraído, com isso os participantes alcançam uma melhoria qualitativa na percepção de si mesmo e do mundo e, conseqüentemente, nas relações estabelecidas consigo mesmo, com o outro e com o mundo.

A Psicanalista Sandra Regina da Luz Inácio, que também aborda a questão das dinâmicas, coloca o seguinte:

A dinâmica de grupo é fundamental para o desenvolvimento e mudança de comportamento. Sendo assim, todos esses aprendizados somente serão efetivamente transformados em comportamento quando vivenciado.[...]Sendo assim, não podemos também utilizar a técnica pela técnica e sim ela aplicada a uma análise acompanhada de uma compreensão dos processos e fenômenos grupais. Portanto, a formação do profissional na área de humanas em condução de grupos é fundamental. (INÀCIO, )

 
PERPÉTUO e GONÇALVES ,2000, ainda abordam as questões relacionadas ao profissional, afirmando que para que o profissional consiga trabalhar de forma a considerar esta participação de todos , ele precisa optar por uma concepção de educação que valoriza tanto a teoria como a prática e considera todos os envolvidos neste processo como sujeitos históricos e participativos, pois o trabalho com dinâmica de grupo permite que as pessoas envolvidas passem por um processo de ensino-aprendizagem onde o trabalho coletivo é colocado como um caminho para se interferir na realidade, modificando-a. Isso porque a experiência do trabalho com dinâmica promove o encontro de pessoas onde o saber é construído junto, em grupo.
PERPÉTUO e GONÇALVES ,2000, levanta a questão dos saberes fragmentados e individuais, quando afirma que no trabalho com dinâmicas os conhecimento deixam de ser somente do indivíduo e passam a serem do grupo , porque são compartilhados e ainda tem a questão da construção desses saberes que é feita de forma integral, com o envolvimento total do sujeito, afetivamente e intelectualmente. Os sujeitos ainda são desafiados a análise individual e em grupo do desempenho e a comprovarem os resultados do aprendizado. Isso acontece somente se garantido a participação efetiva e constante de todos os participantes.
BREVES CONSIDERAÇÕES
Diante das colocações das autoras, é possível perceber que dinâmicas são ferramentas preciosas para se abordar temas complexos e até mesmo causadores de polêmicas , pois facilitam a exposição de opiniões e sentimentos, tanto quanto o processo de aprendizagem,não podendo, no entanto, serem absolutas no processo ensino-aprendizagem.

Por meio de técnicas de dinâmicas, associadas as teorias e planejadas para que se alcancem os objetivos propostos, são meios e não fins, portanto , precisam que todos os envolvidos estejam verdadeiramente participando , pois a construção dos saberes são feitos de forma integral, ou seja , do indivíduo com ele mesmo, com o objeto e com o grupo. Sendo de extrema necessidade que estes saberes sejam compartilhados.

Outra conclusão que se chega , é que por meio das dinâmicas é possível se modificar comportamentos, principalmente no que tange ao trabalho em grupo, habilidade esta que é importante no trabalho educacional.

BIBLIOGRAFIA
_________________PERPÉTUO, Susan Chiode e GONÇALVES, Ana Maria ,2000

.“Dinâmicas de Grupos na formação de lideranças”.
_________________INÁCIO,Sandra Regina da Luz. “Dinâmicas de grupo - desenvolve comportamento organizacional?” Disponível em: http://www.artigonal.com/administracao-artigos/dinamicas-de-grupo-desenvolve-o-comportamento-organizacional-644665.html. Acessado em 28 de dezembro de 2011.

26 de dezembro de 2011

Coordenador Pedagógico e suas tribuições

                                                          Ivaneide Bezerra da Silva

                                                                             Não é no silêncio que os homens se fazem,
                                                                             mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão.
                                                                             Paulo Freire
Os cursos de pedagogia, capacita o profissional a além de ensinar na educação infantil até o quinto ano do ensino fundamental I,a também atuar na EJA Educação para jovens e adultos , tanto quanto coordenar e dirigir uma instituição como gestor.

Vamos conversar hoje sobre as atribuições do coordenador pedagógico, aquele que é sempre procurado nas instituições escolares, mas, que poucos sabem a sua importância .

O trabalho de coordenar é fazer a ponte entre as dimensões políticas, pedagógica e administrativa-financeira da gestão escolar, tornando o diálogo e as ações mais dinâmicas e integradas , sempre objetivando melhorias no processo ensino-aprendizagem estimulando renovações buscando o sucesso de todos os educandos.

O coordenador pedagógico é um profissional generalista da educação, sendo sua ação política , visível na forma de organizar e gestar o trabalho pedagógico, assumindo sempre postura crítica-reflexiva, diante da realidade cotidiana encontrada na escola.

Todos os profissionais da educação e todas as ações escolares devem estar embasadas nas leis vigentes, para tanto é de extrema importância que todos inclusive os coordenadores pedagógicos conheçam a legislação que ampara a área educacional nas três esferas: federal, estadual e municipal.



São atribuições do Coordenador Pedagógico nas unidades escolares:



• Coordenar, juntamente com a direção, a elaboração e responsabilizar-se pela divulgação e execução da Proposta Pedagógica da escola, articulando essa elaboração de forma participativa e cooperativa

• Organizar e apoiar principalmente as ações pedagógicas, propiciando sua efetividade;
• Estabelecer uma parceria com a direção da escola, que favoreça a criação de vínculos de respeito e de trocas no trabalho educativo;
• Acompanhar e avaliar o processo de ensino e de aprendizagem e contribuir positivamente para a busca de soluções para os problemas de aprendizagens identificados;

• Coordenar o planejamento e a execução das ações pedagógicas na escola;
• Atuar de maneira integrada e integradora junto à direção e à equipe pedagógica da escola para a melhoria do processo de ensino-aprendizagem;
• Coordenar e acompanhar os horários de Atividade Complementar (AC),promovendo oportunidades de discussão e proposição de inovações pedagógicas, assim como a produção de materiais didático-pedagógicos na escola, na perspectiva de uma efetiva formação continuada;
• Avaliar as práticas planejadas, discutindo com os envolvidos e sugerindo inovações;
• Acompanhar o desempenho acadêmico dos alunos, através de registros por bimestre, orientando os docentes para a criação de propostas diferenciadas e direcionadas aos que tiveram desempenho insuficiente;

• Estabelecer metas a serem atingidas em função das demandas explicitadas no trabalho dos professores;
• Promover um clima escolar favorável à aprendizagem e ao ensino, a partir do entrosamento entre os membros da comunidade escolar e da qualidade das relações interpessoais.
FONTE: “Coordenador pedagógico”-Traçando caminho para sua prática educativa.
Um coordenador pedagógico comprometido conhece sua equipe de trabalho, sabe quem é cooperativo, resistente, curioso,estudioso ou não, ou seja , conhece os pontos marcantes em cada membro do corpo docente, e leva em conta este perfil individual ,estabelecendo metas e objetivos.

È importante a avaliação do conteúdo programático, feito geralmente no final do ano, em conjunto com os professores, avaliando o que deu certo e deve permanecer, o que deve ser mudado, ampliado ou retirado, flexibilizando os conteúdos, levando em conta o rendimento dos educandos e dos docentes, para isso é necessário a escuta atenta dos docentes e a porta do diálogo deve ser uma constante.

Outro ponto de igual importância é a troca entre os docentes, cabe ao coordenador articular momentos de troca, por meio de oficinas.

Questões de formação pedagógica da equipe, da gestão de projetos, avaliação do PPP, questões educativas e de ensino, também precisam estar presentes nas reuniões pedagógicas.

As reuniões pedagógicas devem ser espaços de reflexão em grupo,de planejamento e de dinamismo, o coordenador possui um papel muito importante , portanto deve sempre assumir uma atitude positiva .

Alguns instrumentos podem tornar este momento mais leve como por exemplo,uma boa música, uma dinâmica onde haja o toque, o abraço, onde as individualidades sejam afloradas pela coletividade, um bom texto teórico, um espaço aberto para as informalidades, os informes administrativos e depois enfim, o trabalho pedagógico.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
o coordenador Pedagógico é um profissional de extrema importância na escola, é ele o responsável pelo trabalho em equipe junto aos professores,com os pais e alunos, comunidade e a escola, responsável também pela formação continuada dos professores e na manutenção da parceria entre pais , professores e alunos. Portanto, o coordenador precisa saber lidar com diversas situações e sabendo lidar com inúmeras pessoas.
O trabalho de coordenação pedagógica deve estar pautado na ética e buscar a construção da gestão democrática.
No próximo post deixarei algumas dicas de dinâmicas para se trabalhar nas reuniões pedagógicas.

Até breve!
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
http://www.smec.salvador.ba.gov.br/site/documentos/espaco-virtual/espaco-cenap/publicacoes/coordenador%20pedagogico%20-%20tra%C3%A7ando%20caminhos%20para%20sua%20pratica.pdf
ABREU,Luci C. de, BRUNO,Eliane B.G.O coordenador pedagógico e a questão do fracasso escolar.In.: ALMEIDA,Laurinda R.,PLACCO,Vera Mª N. de S.OCoordenador Pedagógico e questões da contemporaneidade.São Paulo:Edições Loyola,2006.

ALMEIDA,Laurinda R.O relacionamento interpessoal na coordenação pedagógica.In.:ALMEIDA,Laurinda R.,PLACCO,Vera Mª N. de S.Ocoordenador pedagógico e o espaço de mudança.São Paulo:Edições Loyola,2003.

CLEMENTI,Nilba.A voz dos outros e a nossa voz.In.:ALMEIDA,Laurinda R.,PLACCO,Vera Mª N. de S.O coordenador pedagógico e o espaço de mudança.São Paulo:Edições Loyola,2003.

REIS,Fátima.Disponível em:www.webartigos.com.Acesso em:20/08/2008

Regimento Escolar, Artigo nº.129/2006-Resolução CEE/TO

SILVA,Moacyr da.O coordenador pedagógico e a questão da participação nos órgãos colegiados.In.:ALMEIDA,Laurinda R.,PLACCO,Vera Mª N. de S.O Coordenador Pedagógico e questões da contemporaneidade.São Paulo:Edições Loyola,2006

http://www.artigonal.com/educacao-artigos/o-papel-e-atribuicoes-do-coordenador-pedagogico-dentro-da-escola-805683.html

17 de dezembro de 2011

Vamos refletir sobre direito à imagem

Por Ivaneide Bezerra da Silva
Vamos falar hoje sobre uma questão que tenho observado na atualidade e que tem permeado o meio virtual, eu estou falando sobre a divulgação de imagens de crianças. Não estou falando de Pedofilia, o que também é preocupante, mas, estou tratando nesta postagem sobre imagens que muitas vezes nos chamam atenção por serem lindas , atraentes esteticamente, ou ainda , como aconteceu estes dias , estava eu na página do Facebook e me aparece atualizações de uma outra página, e como me chamou atenção , eu clikei e me deparei com uma montagem feita no paint . A montagem abordava a questão da erotização precoce das crianças e que segundo os dizeres eram contrastantes com a situação das crianças dos E U A. Não posso colocar a imagem aqui, pois eu estaria contribuindo na divulgação, entretanto, mesmo que com boa intenção, a imagem acabou por colocar em uma situação bastante constrangedora as crianças.

A página do face do qual me refiro,é direcionada ao humor, porém eu não vejo graça naquela trágica comparação,a postagem é uma violência aos direitos da criança, como cidadão , pois de acordo com a Constituição Federal do Brasil de 1988:

Art. 5º, X. "são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;"





De acordo com o Código Civil Brasileiro:

Art. 20. "Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais."







Para finalizar ,é uma ofensa a dignidade da criança e fere seus direitos básicos, pois de acordo com Estatuto da Criança e do Adolescente:

Art. 15. "A criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas leis."

Art. 17. "O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos espaços e objetos pessoais."

Art. 18. "É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor."

Vamos refletir antes de postar estas imagens , e principalmente antes de curtir , e se comentarmos, deixemos a nossa consciencia de pai, mãe , educador falar mais auto, não há graça gente neste tipo de postagem. Outra postagem que eu vi também em uma página de humor, foi uma imagem de um bule e afirmando, agora sei o que é bullying...sem comentários!!

Reflita comigo: Você vê graça nisso?

Gostaria de ressaltar que somente a publicação de fotos envolvendo crianças e adolescentes sem autorização prévia dos responsáveis, já constitui crime.Não podemos esquecer que as crianças e os adolescentes possuem direitos!

Publicar fotos de adultos sem permissão, também é crime.Outra coisa que também não podemos esquecer é que os moradores de rua, os menos favorecidos são cidadãos e também Têm direitos garantidos pela lei, portanto , a imagem também precisa ser preservada.

15 de dezembro de 2011

Tema em discussão- respeito à diferença

Por Ivaneide Bezerra da Silva


Uma das questões que precisam estar sempre em discussão desde a mais tenra idade escolar , é claro que de forma apropriada á idade escolar do educando, é a questão da pluralidade cultural, diversidades de culturas, as diferenças e a relação do sujeito com elas, objetivando sempre a construção de uma sociedade livre, justa e solidária,além de garantir o convívio pacífico entre as diversas culturas, raças , religiões, classes sociais...sem discriminações de nenhuma espécie. Para tanto , é preciso que as relações sejam trabalhadas, o indivíduo seja levado a reflexão sobre as realidades e sobre suas ações, uma forma bastante prazerosa de se trabalhar estas questões é por meio de TCs educacionais, cinema, literatura, música,obras de arte...de maneira interdisciplinar , sem esquecer que os PCNs de temas transversais abordam a questão da transversalidade, ou seja , os temas transversais são temas que transitam entre as disciplinas e portanto não podem ser trabalhados de forma isolada.
Vai ai uma dica de Filme para ser trabalhado no Ensino fundamental I destaquei para falar sobre ele de forma mais detalhada,”Kiriku e a feiticeira”

Título original: (Kirikou et la Sorcière)
Lançamento: 1998 (França)
Direção: Michel Ocelot
Atores: Fezele Mpeka, Theo Sebeko, Antoinette Kellermann, Mabuto "Kid" Sithole.
Duração: 71 min
Gênero: Animação

direção: Michel Ocelot

O filme conta a lenda de um menino, que vai vivenciar diversas situações para livrar a sua sociedade de uma feiticeira. Mesmo com este ideal tão nobre, ele sofre preconceitos e discriminações por parte desta mesma sociedade que ele estava buscando ajudar.A história se passa em Senegal, na África.

Kiriku nasceu prematuramente, muito inteligente, pois falava dentro da barriga de sua mãe. E após nascer, além de já falar, ele andava, era corajoso, ágil, engenhoso e muito inteligente, porém era pequeno em estatura, por ter na verdade acabado de nascer, ele era precoce. Encontrava soluções em coisas simples, e livrará as crianças todas as vezes que a
feiticeira Karabá tentou levá-las.
Kiriku, era um menino diferente, com qualidades especiais e por isso era discriminado pelos outros.

A mãe de Kiriku, é outra questão que serve para reflexão, é uma mulher sofrida que perdeu o marido, seus outros filhos e seus irmãos na guerra de seu povo contra a feiticeira Karabá. Ela representa a realidade de muitas mulheres da atualidade ,é uma mãe que tem que educar seu filho sozinha, e ajudá-lo a entender o mundo e a vida. A mãe de Kiruku, também sofre com a discriminação, é ela segundo as outras mulheres da aldeia que é a culpada pelo filho “esquisito”, ela não cuida direito.
Eu recomendo este filme para o trabalho com adiversidade, as diferenças de gênero, raças, físicas,...



Para o trabalho com EJA, fica a dica:
Vídeos
Visões de liberdade
Cidadania em preto e branco-CEERT
A rota dos Orixás
Kiara-corpo de rainha

Filmes
Adivinhe quem vem pra jantar
Sarafina –o som da liberdade
AMISTAT
A negação do Brasil

12 de dezembro de 2011

Literatura


Literatura
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
1A palavra Literatura vem do latim "litterae" que significa "letras", e possivelmente uma tradução do grego "grammatikee". Em latim, literatura significa uma instrução ou um conjunto de saberes ou habilidades de escrever e ler bem, e se relaciona com as artes da gramática, da retórica e da poética. Por extensão, se refere especificamente à arte ou ofício de escrever de forma artística. O termo Literatura também é usado como referência a um corpo ou um conjunto escolhido de textos como, por exemplo, a literatura médica, a literatura inglesa, literatura portuguesa, etc.


Literatura talvez seja encontrar um caminho para decidir o que torna um texto, em sentido lato, literário. A definição de literatura está comumente associada à idéia de estética, ou melhor, da ocorrência de algum procedimento estético. Um texto é literário, portanto, quando consegue produzir um efeito estético e quando proporciona uma sensação de prazer e emoção no receptor. A própria natureza do caráter estético, contudo, reconduz à dificuldade de elaborar alguma definição verdadeiramente estável para o texto literário. Para simplificar, pode-se exemplificar através de uma comparação por oposição. Vamos opor o texto científico ao texto artístico: o texto científico emprega as palavras sem preocupação com a beleza, o efeito emocional. No texto artístico,ao contrário, essa será a preocupação maior do artista. É óbvio que também o escritor busca instruir, e perpassar ao leitor uma determinada idéia; mas, diferentemente do texto científico, o texto literário une essa instrução à necessidade estética que toda obra de arte exige. O texto científico emprega as palavras no seu sentido dicionarizado, denotativamente, enquanto o texto artístico busca empregar as palavras com liberdade, preferindo o seu sentido conotativo, figurado. O texto literário é, portanto, aquele que pretende emocionar e que, para isso, emprega a língua com liberdade e beleza, utilizando-se, muitas vezes, do sentido metafórico das palavras.

A compreensão do fenômeno literário tende a ser marcada por alguns sentidos, alguns marcados de forma mais enfática na história da cultura ocidental, outros diluídos entre os diversos usos que o termo assume nos circuitos de cada sistema literário particular.

Assim encontramos uma concepção "clássica", surgida durante o Iluminismo (que podemos chamar de "definição moderna clássica", que organiza e estabelece as bases de periodização usadas na estruturação do cânone ocidental); uma definição "romântica" (na qual a presença de uma intenção estética do próprio autor torna-se decisiva para essa caracterização); e, finalmente, uma "concepção crítica" (na qual as definições estáveis tornam-se passíveis de confronto, e a partir da qual se buscam modelos teóricos capazes de localizar o fenômeno literário e, apenas nesse movimento, "defini-lo"). Deixar a cargo do leitor individual a definição implica uma boa dose de subjetivismo, (postura identificada com a matriz romântica do conceito de "Literatura"); a menos que se queira ir às raias do solipsismo, encontrar-se-á alguma necessidade para um diálogo quanto a esta questão. Isto pode, entretanto, levar ao extremo oposto, de considerar como literatura apenas aquilo que é entendido como tal por toda a sociedade ou por parte dela, tida como autorizada à definição. Esta posição não só sufocaria a renovação na arte literária, como também limitaria excessivamente o corpus já reconhecido.

De qualquer forma, destas três fontes (a "clássica", a "romântica" e a "crítica") surgem conceitos de literatura, cuja pluralidade não impede de prosseguir a classificações de gênero e exposição de autores e obras.

Poesia
Provavelmente a mais antiga das formas literárias, a poesia consiste no arranjo harmônico das palavras. Geralmente, um poema organiza-se em versos, caracterizados pela escolha precisa das palavras em função de seus valores semânticos (denotativos e, especialmente, conotativos) e sonoros. É possível a ocorrência da rima, bem como a construção em formas determinadas como o soneto e o haikai. Segundo características formais e temáticas, classificam-se diversos gêneros poéticos adotados pelos poetas:


Peças de Teatro
O teatro, forma literária clássica, composta basicamente de falas de um ou mais personagens, individuais (atores e atrizes) ou coletivos (coros), destina-se primariamente a ser encenada e não apenas lida. Até um passado relativamente recente, não se escrevia a não ser em verso. Na tradição ocidental, as origens do teatro datam dos gregos, que desenvolveram os primeiros gêneros: a tragédia e a comédia.

Mudanças vieram: novos gêneros, como a ópera, que combinou esta forma com (pelo menos) a música; inovações textuais, como as peças em prosa; e novas finalidades, como os roteiros para o cinema.

A imensa maioria das peças de teatro está baseada na dramatização, ou seja, na representação de narrativas de ficção por atores encarnando personagens.

Elas podem ser:

Tragédia
Drama
Comédia
Ópera

Ficção em Prosa
A literatura de ficção em prosa, cuja definição mais crua é o texto "corrido", sem versificação, bem como suas formas, são de aparição relativamente recente. Pode-se considerar que o romance, por exemplo, surge no início do século XVII com Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes Saavedra.

Subdivisões, aqui, dão-se em geral pelo tamanho e, de certa forma, pela complexidade do texto. Entre o conto, "curto", e o romance, "longo", situa-se por vezes a novela.


Gêneros LiteráriosA linguagem é o veículo utilizado para se escrever uma obra literária. Escrever obras literárias é trabalhar com a linguagem. Os Gêneros Literários são as várias formas de trabalhar a linguagem, de registrar a história, e fazer com que a essa linguagem seja um instrumento de conexão entre os diversos contextos literários que estão dispersos ao redor do mundo.

11 de dezembro de 2011

Educação de valores na contemporaneidade

Por Ivaneide Bezerra da Silva
No Post anterior, eu trouxe alguns conhecimentos acerca de um filósofo, importante e reconhecido mundialmente e as propostas que ele traz no seu livro “Sete saberes necessários à educação do futuro”, estou me referindo a Edgar Morin, hoje eu quero convidar todos a assistir comigo à três vídeos que se intitulam “O buraco branco no tempo” , vídeo que foi elaborado a partir do livro “O buraco branco no tempo - Nossa evolução futura e o significado do agora”, lançado pela Editora Aquariana, São Paulo, no ano de 1992, do escritor Peter Russel. Tanto o vídeo quanto o livro, abordam as problemáticas da origem e evolução dos tempos, tratando também sobre questões das novas tecnologias e da modernização. O vídeo inicia comentando sobre a origem e evolução dos tempos. Trata na seqüência, sobre os seres humanos na atualidade, levando nos a refletir sobre a existência do homem, como ela é recente em comparação com a existência da vida, e até do próprio cosmos.

As questões tratadas no vídeo são de extrema importância e atuais , o autor fala sobre a importância da linguagem (diálogo), das características que nos diferenciam dos outros animais, como por exemplo, a capacidade de intervir no mundo e de como estas intervenções podem acarretar conseqüências a primeira é o crescimento populacional; os seres humanos hoje ocupam todo o globo. E a segunda é a poluição; quanto mais humanos existem, mais recursos naturais nós consumimos, e mais ainda poluímos o ambiente em que vivemos.

Criamos novas tecnologias para melhorar as nossas vidas, mas são justamente essas tecnologias que necessitam da exploração do ambiente, o que em última instância, é um risco enorme para a nossa sobrevivência – o que segundo Russel, é uma terrível contradição. Quanto mais a sociedade avança em busca do bem-estar, maiores são os riscos que corremos, e maior é o impacto no mundo ao nosso redor. E o que existiria de mais impressionante em tudo isso, seria que mesmo percebendo isso, não pensamos em parar.

Peter Russel , tem como objetivo maior, refletir sobre ,segundo ele, a “crise” que existe em nossa “consciência” e questionar os paradigmas de nossa sociedade atual, o consumismo, a necessidade de armamentos, a causa das guerras, e até mesmo questiona a visão religiosa que separa as pessoas.

Finalizando, Russell comenta sobre uma revolução na consciência,ou melhor, simboliza um fator preponderante na existência da humanidade, que é o amor ao próximo, é o ser interior, na busca permanente pela paz. Seria uma espécie de educação de valores, educação cidadã,ou ainda um educação para a paz, o certo mesmo é levar as pessoas a refletirem sobre o outro, sobre a ética, o respeito mútuo a dignidade da pessoa humana,... Questões estas que deveriam ser trabalhadas por meio de projetos que contemplassem os temas transversais que citam os PCNs , Parâmetros curriculares nacionais dos temas transversais.


Mais afinal, o que são os PCNs? Os Parâmetros curriculares Nacionais, não são leis e nem regras que devem ser seguidas, mas, indicam possibilidades e indicam os objetivos de aprendizagem que todos os alunos de acordo com as séries, devem alcançar , para estabelecer sua cidadania,é uma forma de unir a educação.

Os PCNs são flexíveis e adaptáveis as condições culturais e regionais, específicas de cada lugar. A escolha dos temas transversais , foram baseadas na perspectiva que busca a construção da cidadania, objetivando que o sujeito compreenda a realidade social, direitos e responsabilidades (deveres) da sua vida pessoal, coletiva e ambiental. Temas transversais não são novas áreas de conhecimento ou disciplinas, devendo portanto,se articular com os conteúdos e objetivos já existentes.

Qual desafio para as escolas? O desafio é abrir-se para o debate destes temas , que traduzem preocupações atuais e presentes na sociedade brasileira, temas transversais, são questões importantes e urgentes. São temas transversais: ética, pluralidade cultural, meio ambiente,saúde e orientação sexual.

A Constituição de 1988, explicita os fundamentos do Estado brasileiro e elenca pela primeira vez os direitos civis, políticos e sociais dos cidadãos . Esclarece que, os três poderes , legislativo, executivo e judiciário são meios e não fins que existem para garantir os direitos sociais e individuais que são,os fundamentos do Estado Democrático de Direito, a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, o pluralismo político e que possuem os seguintes objetivos fundamentais da República, construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento nacional; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça,sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais, propõem uma educação comprometida com a cidadania, para tanto se baseias e elegem como norte os textos constitucionais que orientam a educação escolar, vejamos:

Dignidade da pessoa humana Implica respeito aos direitos humanos, repúdio à discriminação de qualquer tipo, acesso a condições de vida digna, respeito mútuo nas relações interpessoais, públicas e privadas.

Igualdade de direitos Refere-se à necessidade de garantir a todos a mesma dignidade e possibilidade de exercício de cidadania. Para tanto há que se considerar o princípio da eqüidade, isto é, que existem diferenças (étnicas,culturais, regionais, de gênero, etárias, religiosas, etc.) e desigualdades (socioeconômicas) que necessitam ser levadas em conta para que a igualdade seja efetivamente alcançada.

Participação Como princípio democrático, traz a noção de cidadania ativa, isto é, da complementaridade entre a representação política tradicional e a participação popular no espaço público, compreendendo que não se trata de uma sociedade homogênea e sim marcada por diferenças de classe, étnicas, religiosas, etc.

Co-responsabilidade pela vida social Implica partilhar com os poderes públicos e diferentes grupos sociais, organizados ou não, a responsabilidade pelos destinos da vida coletiva.É, nesse sentido, responsabilidade de todos a construção e a ampliação da democracia no Brasil.

Diante do exposto, podemos dizer que as questões abordadas por Peter Russel, são atuais, entretanto já existem propostas para que sejam trabalhadas as questões de valores na educação, cabendo apenas ao sistema escolar como um todo trabalhar de forma significativa, não autoritária e imposta por simples regras, mais levar os sujeitos a refletirem , levantarem hipóteses e formularem soluções.

Uma questão levantada por Russel no vídeo é a importância da linguagem, e levando em conta que a comunicação está deficitária, deve-se sim tratar das questões de relacionamentos estimulando o diálogo o repensar posições e adotar novas condutas.
Ivaneide B.S Pedagoga

Assistam agora os vídeos.





BIBLIOGRAFIA

_______. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: apresentação dos temas transversais, ética / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1997. 146p. Disponível em: Acesso em: 15 out. 2011.

______.RUSSEL,Peter“O buraco branco no tempo - Nossa evolução futura e o significado do agora”, Editora Aquariana, São Paulo, 1992. Peter Russel.

VÌDEOS

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=uUiSYP5L6Mo]

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=2RJxOzxg3dY&feature=related]

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=HqpPzZLtJN0&feature=related]

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