29 de maio de 2009

Brincar é tudo para a criança











Vontade de brincar
começa na barriga


chuta e deita e rola
quer logo ver o mundo

vontade de jogar
não tem onde nem quando

barquinho de papel
e sopa de letrinhas

vontade de criar
é imaginação

casinha de boneca
varinha de condão

vontade de inventar
com lápis no papel

romance de aventura
cantiga de ninar


Adalberto Muller
( poeta - professor Literatura Uni de Brasilia)



CRIANÇA VELHA


Neiva Pavesi

(Mapa Cultural Paulista/1998 Fase municipal)

Eu me escondi numa concha e tive medo de viver.

E perdi a minha infância num cipoal emaranhadode culpas e remorsos.

E não brinquei, de boneca,e não andeide bicicleta,e não corri nas ruas.
E não me lambuzei com o sorvete gordo e doce que estava na vitrine da vida para eu saborear.
Agora quero saber: quem foi?
Quem foi que me traiu?
Quem foi que não me deixou sentir todas as delícia da minha infância?
Quem foi que me tirou da boca o desejo de sorver todos os segundos da minha adolescência ?
Quem foi que me aprisionou num cálice barato e me fez acreditar que aquilo fosse taça de cristal?
Quem foi que me fez pensar que era pecado ser criança?
Que havia proibiçõesnos ?por quês?, nos ?senões??
Aprendi a questionar agora...
Mas agora a minha infância ficou distante e eu não a posso alcançar...
Nem a minha adolescência voltará...
Dá para acreditar?
Fui uma criança velha e me perdi nos caminhos dos anos que passaram rápido demais...
depressa demais...
Fiquei sem chances.
Deslocada.
Fora do tempo.


O brincar na Educa��o Infantil

Resumo

A inten��o deste artigo � sensibilizar os professores de educa��o infantil e do ensino fundamental das s�ries iniciais do importante papel que os jogos, as brincadeiras e os brinquedos exercem no desenvolvimento da crian�a. Para isso se faz necess�rio saber o significado do brincar, conceituar os principais termos utilizados para designar o ato de brincar, tornando-se tamb�m fundamental analisar o papel do educador neste processo l�dico, e ainda, os benef�cios que o brincar proporciona. Faremos tamb�m algumas considera��es importantes sobre os jogos e brinquedos. Desta forma, espera-se oferecer uma leitura mais consciente acerca da import�ncia do brincar na vida do ser humano, e em especial na vida da crian�a.
Palavras chave: brincar; educa��o infantil; crian�a; escola.

Revista virtual EFArtigos - Natal/RN - volume 03 - n�mero 01 - maio - 2005
Marcos Teodorico Pinheiro de Almeida *


1. Introdu��o: o brincar e a crian�a

"O brincar � uma necessidade b�sica e um direito de todos. O brincar � uma experi�ncia humana, rica e complexa." (ALMEIDA, M. T. P, 2000)

Gostaria de come�ar o artigo lembrando ao educador sobre os reais objetivos da Educa��o Infantil. Estes objetivos devem ser pensados a longo prazo e dentro de uma perspectiva do desenvolvimento da crian�a. Os objetivos ser�o divididos com rela��o a tr�s pontos.


I. Em rela��o aos professores: gostar�amos que as crian�as desenvolvessem sua autonomia atrav�s de relacionamentos seguros no qual o poder do adulto seja reduzido o m�ximo poss�vel.

II. Em rela��o aos companheiros: gostar�amos que as crian�as desenvolvessem sua habilidade de descentrar e coordenar diferentes pontos de vista.

III. Em rela��o ao aprendizado: gostar�amos que as crian�as fossem alertas, curiosas, criticas e confiantes na sua capacidade de imaginar coisas e dizer o que realmente pensam. Gostar�amos tamb�m que elas tivessem iniciativa, elaborassem id�ias, perguntas e problemas interessantes e relacionassem as coisas umas �s outras. (KAMII, 1991, p. 15.)

Vamos tamb�m iniciar o artigo fazendo uma pergunta: "O que as crian�as precisam para serem felizes?"
A crian�a para ser feliz precisa de muita coisa, mas, em especial ela precisa de:

Sabemos que o brincar � um direito da crian�a como apresentam diversos documentos internacionais:


 Declara��o universal dos direitos da crian�a - ONU (20/11/1959)

"... A crian�a deve ter todas as possibilidades de entregar-se aos jogos e �s atividades recreativas, que devem ser orientadas para os fins visados pela educa��o; a sociedade e os poderes p�blicos devem esfor�ar-se por favorecer o gozo deste direito". (Declara��o universal dos direitos da crian�a, 1959)

 Associa��o internacional pelo direito da crian�a brincar - IPA 1979 (Malta), 1982 (Viena), 1989 (Barcelona)

Os princ�pios norteadores da Associa��o Internacional pelo Direito da Crian�a Brincar - IPA s�o:

Sa�de

Brincar � essencial para sa�de f�sica e mental das crian�as.
Educa��o
Brincar faz parte do processo da forma��o educativa do ser humano.
Bem estar - a��o social

O brincar � fundamental para a vida familiar e comunit�ria.
Lazer no tempo livre

A crian�a precisa de tempo para brincar em seu tempo de lazer.

Planejamento

As necessidades da crian�a devem ter prioridade no planejamento do equipamento social.
Diante do exposto percebe-se que nem sempre a teoria pode ser aplicada na pr�tica, afinal vivemos em um pa�s que n�o tem dado aos pequenos a devida import�ncia, principalmente no que se refere ao direito de brincar. Nunca devemos esquecer que o brincar � uma necessidade b�sica e um direito de todos. O brincar � uma experi�ncia humana, rica e complexa. Se o brincar � um direito devemos ter, estimular e cobrar pol�ticas p�blicas dirigidas em quatro eixos b�sicos:

I. Cria��o de espa�os l�dicos estruturados para jogos, brinquedos e brincadeiras;

II. Organiza��o sistem�tica de a��es de forma��o l�dica de recursos humanos em diferentes n�veis;

III. Campanhas formativas e informativas sobre a import�ncia do brincar;

IV. Cria��o de centros de pesquisa, de documenta��o e assessoria sobre jogos, brinquedos e brincadeiras e outros materiais l�dicos.
Gostaria de encerrar com a seguinte reflex�o: o brincar tem contido nele os mais diferentes elementos e valores que s�o suas virtudes e os seus pecados. Virtudes, porque na ess�ncia, eles s�o constitu�dos de princ�pios generosos que permitem a revitaliza��o permanente. Pecados porque o brincar pode ser tamb�m manipulado e desviado para as mais diferentes finalidades ou objetivos, podendo comprometer a verdade.

Um outro documento de grande relev�ncia foi o estudo introdut�rio do referencial curricular nacional para a educa��o infantil no eixo do brincar e conhecido como Par�metros Curriculares Nacionais - PCN's. Este documento foi criado no ano de 1998 em Brasilia por educadores especialistas no assunto. Elencaremos abaixo alguns pontos apresentados neste estudo:
 � imprescind�vel que haja riqueza e diversidade nas experi�ncias que lhes s�o oferecidas nas institui��es.

 A brincadeira � uma linguagem infantil.


 No ato de brincar, os sinais, os gestos, os objetos e os espa�os valem e significam outra coisa daquilo que aparentam ser. Ao brincar as crian�as recriam e repensam os acontecimentos que lhes deram origem, sabendo que est�o brincando.
 O principal indicador da brincadeira, entre as crian�as, � o papel que assumem enquanto brincam.

 Nas brincadeiras, as crian�as transformam os conhecimentos que j� possu�am anteriormente em conceitos gerais com os quais brinca.

 O brincar contribui, assim, para a interioriza��o de determinados modelos de adulto.

 Os conhecimentos da crian�a prov�m da imita��o de algu�m ou de algo conhecido, de uma experi�ncia vivida na fam�lia ou em outros ambientes, do relato de um colega ou de um adulto, de cenas assistidas na televis�o, no cinema ou narradas em livros etc.
 � no ato de brincar que a crian�a estabelece os diferentes v�nculos entre as caracter�sticas do papel assumido, suas compet�ncias e as rela��es que possuem com outros pap�is, tomando consci�ncia disto e generalizando para outras situa��es.

 Para brincar � preciso que as crian�as tenham certa independ�ncia para escolher seus companheiros e os pap�is que ir�o assumir no interior de um determinado tema e enredo, cujos desenvolvimentos dependem unicamente da vontade de quem brinca.
Segundo os PCN's o brincar apresenta-se por meio de v�rias categorias. E essas categorias incluem:

 O movimento e as mudan�as da percep��o resultantes essencialmente da mobilidade f�sica das crian�as;
 A rela��o com os objetos e suas propriedades f�sicas assim como a combina��o e associa��o entre eles;

 A linguagem oral e gestual que oferecem v�rios n�veis de organiza��o a serem utilizados para brincar; os conte�dos sociais, como pap�is, situa��es, valores e atitudes que se referem � forma como o universo social se constroem;

 E, finalmente, os limites definidos pelas regras, constituindo-se em um recurso fundamental para brincar.
O brincar pode, de acordo com os estudiosos e pesquisadores do tema ser dividido em duas grandes categorias:

 O Brincar Social: reflete o grau no quais as crian�as interagem umas com as outras.

 O Brincar Cognitivo: revela o n�vel de desenvolvimento mental da crian�a.

Estas categorias de experi�ncias podem ser agrupadas em quatro modalidades b�sicas de brincar:

 O brincar tradicional
 O brincar de faz-de-conta
 O brincar de constru��o
 O brincar educativo

As crian�as na idade de educa��o infantil vivenciam experi�ncias l�dicas sociais e n�o-sociais. Um estudo feito por PARTEN (1932) citado por PAPALIA (2000) revela que no brincar das crian�as pequenas, podemos identificar seis tipos de atividades l�dicas sociais e n�o-sociais:

 Comportamento desocupado
 Comportamento observador
 Atividade independente (solit�ria)
 Atividade paralela
 Atividade associativa
 Atividade cooperativa ou organizada suplementar
� importante saber que existem cinco grandes pilares b�sicos nas a��es l�dicas das crian�as em seus jogos, brinquedos e brincadeiras, estes pilares s�o:

I. A imita��o

II. O espa�o
III. A fantasia
IV. As regras
V. Os valores
Para entender o universo l�dico � fundamental compreender o que � brincar e para isso, � importante conceituar palavras como jogo, brincadeira e brinquedo, permitindo assim aos professores de educa��o infantil e do ensino fundamental trabalhar melhor as atividades l�dicas. Esta tarefa nem sempre � f�cil exatamente pelo fato dos autores compreenderem os termos de forma diferente. Temos que salientar que esta dificuldade n�o � somente do Brasil, outros pa�ses que se preocupam em pesquisar o tema, tamb�m t�m dificuldade quanto �s conceitua��es. Para efeito deste artigo adotaremos as seguintes defini��es.

O que � brinquedo?
Para a autora KISHIMOTO (1994) o brinquedo � compreendido como um "objeto suporte da brincadeira", ou seja, brinquedo aqui estar� representado por objetos como pi�es, bonecas, carrinhos etc. Os brinquedos podem ser considerados: estruturados e n�o estruturados. S�o denominados de brinquedos estruturados aqueles que j� s�o adquiridos prontos, � o caso dos exemplos acima, pi�es, bonecas, carrinhos e tantos outros.
Os brinquedos denominados n�o estruturados s�o aqueles que n�o sendo industrializados, s�o simples objetos como paus ou pedras, que nas m�os das crian�as adquirem novo significado, passando assim a ser um brinquedo. A pedra se transforma em comidinha e o pau se transforma em cavalinho. Portanto, vimos que os brinquedos podem ser estruturados ou n�o estruturados dependendo de sua origem ou da transforma��o criativa da crian�a em cima do objeto.
O que � brincadeira?
A brincadeira se caracteriza por alguma estrutura��o e pela utiliza��o de regras. Exemplos de brincadeiras que poder�amos citar e que s�o amplamente conhecidas: Brincar de Casinha, Ladr�o e Pol�cia etc. A brincadeira � uma atividade que pode ser tanto coletiva quanto individual. Na brincadeira a exist�ncia das regras n�o limita a a��o l�dica, a crian�a pode modific�-la, ausentar-se quando desejar, incluir novos membros, modificar as pr�prias regras, enfim existe maior liberdade de a��o para as crian�as.

O que � jogo?

A compreens�o de jogo est� associada tanto ao objeto (brinquedo) quanto � brincadeira. � uma atividade mais estruturada e organizada por um sistema de regras mais expl�citas. Exemplos cl�ssicos seriam: Jogo de M�mica, de Cartas, de Tabuleiro, de Constru��o, de Faz-de-Conta etc. Uma caracter�stica importante do jogo � a sua utiliza��o tanto por crian�as quanto por adultos, enquanto que o brinquedo tem uma associa��o mais exclusiva com o mundo infantil.

Os diferentes significados do brincar

Um mesmo jogo, brinquedo ou brincadeira para diferentes culturas pode ter diferentes significados, isto quer dizer que � preciso considerar o contexto social onde se insere o objeto de nossa an�lise.
Boneca: Objeto que pode ser utilizado como um brinquedo em uma cultura, ser considerado objeto de adora��o em rituais ou ainda um simples objeto de decora��o.
Arco e Flecha: Objeto que pode ser utilizado como brinquedo em uma cultura, mas em outra cultura � um objeto no qual se prepara �s crian�as para a ca�a e a pesca visando � sobreviv�ncia.
Depois das defini��es apresentadas � necess�rio esclarecer que as mesmas devem servir para ajudar na reflex�o do professor em sua a��o l�dica diante da crian�a e n�o para limit�-lo neste processo. � importante que as pessoas envolvidas na pesquisa do l�dico acreditem que o jogo, o brinquedo e a brincadeira ter�o um sentido mais profundo se vierem representados pelo brincar.

Em resumo o universo l�dico abrange, de forma mais ampla os termos brincar, brincadeira, jogo e brinquedo. O brincar caracteriza tanto a brincadeira como o jogo e o brinquedo como objeto suporte da brincadeira e/ou do jogo. (ver figura)

2. Papel do educador na educa��o l�dica

"A esperan�a de uma crian�a, ao caminhar para a escola � encontrar um amigo, um guia, um animador, um l�der - algu�m muito consciente e que se preocupe com ela e que a fa�a pensar, tomar consci�ncia de si de do mundo e que seja capaz de dar-lhe as m�os para construir com ela uma nova hist�ria e uma sociedade melhor". (ALMEIDA,1987,p.195)

Para se ter dentro de institui��es infantis o desenvolvimento de atividades l�dicas educativas, � de fundamental import�ncia garantir a forma��o do professor e condi��es de atua��o. Somente assim ser� poss�vel o resgate do espa�o de brincar da crian�a no dia-a-dia da escola ou creche.

Para n�s a forma��o do Educador Infantil, ganha em qualidade se, em sua sustenta��o, estiverem presentes tr�s pilares:

I. Forma��o te�rica
II. Forma��o pedag�gica
III. Forma��o l�dica
A decis�o de se permitir envolver no mundo m�gico infantil seria o primeiro passo que o professor deveria dar. Explorar o universo infantil exige do educador conhecimento te�rico, pr�tico, capacidade de observa��o, amor e vontade de ser parceiro da crian�a neste processo. N�s professores podemos atrav�s das experi�ncias l�dicas infantis obtermos informa��es importantes no brincar espont�neo ou no brincar orientado. Estas descobertas podem definir crit�rios tais como:
 A dura��o do envolvimento em um determinado jogo;
 As compet�ncias dos jogadores envolvidos;
 O grau de iniciativa, criatividade, autonomia e criticidade que o jogo proporciona ao participante;

 A verbaliza��o e linguagem que acompanham o jogo;

 O grau de interesse, motiva��o, satisfa��o, tens�o aparente durante o jogo (emo��es, afetividade etc.);

 Constru��o do conhecimento (racioc�nio, argumenta��o etc.);

 Evid�ncias de comportamento social (coopera��o, colabora��o, conflito, competi��o, integra��o etc.).

A aplica��o de jogos, brincadeiras e brinquedos em diferentes situa��es educacionais podem ser um meio para estimular, analisar e avaliar aprendizagens espec�ficas, compet�ncias e potencialidades das crian�as envolvidas.

No brincar espont�neo podemos registrar as a��es l�dicas a partir da: observa��o, registro, an�lise e tratamento. Com isso, podemos criar para cada a��o l�dica um banco de dados sobre o mesmo, subsidiando de forma mais eficiente e cient�fica os resultados das a��es. � poss�vel tamb�m fazer o mapeamento da crian�a em sua trajet�ria l�dica durante sua viv�ncia dentro de um jogo ou de uma brincadeira, buscando dessa forma entender e compreender melhor suas a��es e fazer interven��es e diagn�sticos mais seguros ajudando o indiv�duo ou o coletivo. As informa��es obtidas pelo brincar espont�neo permitem diagnosticar:

 Id�ias, valores interessantes e necessidades do coletivo ou do indiv�duo;
 Est�gio de desenvolvimento da crian�a;

 Comportamento dos envolvidos nos diferentes ambientes l�dicos;

 Conflitos, problemas, valores etc.

Com isso podemos definir, a partir de uma escolha criteriosa, as a��es l�dicas mais adequadas para cada crian�a envolvida, respeitando assim o princ�pio b�sico de individualidade de cada ser humano.

J� no brincar dirigido pode-se propor desafios a partir da escolha de jogos, brinquedos ou brincadeiras determinadas por um adulto ou respons�vel. Estes jogos orientados podem ser feitos com prop�sitos claros de promover o acesso a aprendizagens de conhecimentos espec�ficos como: matem�ticos, ling��sticos, cient�ficos, hist�ricos, f�sicos, est�ticos, culturais, naturais, morais etc. E um outro prop�sito � ajudar no desenvolvimento cognitivo, afetivo, social, motriz, ling��stico e na constru��o da moralidade (nos valores).

Segundo o professor ALMEIDA (1987) a educa��o l�dica pode ter duas conseq��ncias, dependendo de ser bem ou mal utilizada:

I. A educa��o l�dica pode ser uma arma na m�o do professor despreparado, arma capaz de mutilar, n�o s� o verdadeiro sentido da proposta, mas servir de nega��o do pr�prio ato de educar;

II. A educa��o l�dica pode ser para o professor competente um instrumento de unifica��o, de liberta��o e de transforma��o das reais condi��es em que se encontra o educando. � uma pr�tica desafiadora, inovadora, poss�vel de ser aplicada.

Sobre este tema do papel do educador como facilitador dos jogos, das brincadeiras, da utiliza��o dos brinquedos e principalmente da organiza��o dos espa�os l�dicos para crian�a de 0 a 6 anos muito poderia ser dito, mas gostar�amos de chamar aten��o sobre alguns aspectos considerados importantes para facilitar a rela��o da crian�a e do professor nas atividades l�dicas. Estas informa��es foram tiradas do projeto "Brincar � coisa s�ria" desenvolvido pela Funda��o Samuel - S�o Paulo, em campanha realizada em 1991, p.8, 9 e 10.

Segundo REGO (1994), autora da obra citada, o papel do educador � o seguinte:

 O educador tem como papel ser um facilitador das brincadeiras, sendo necess�rio mesclar momentos onde orienta e dirige o processo, com outros momentos onde as crian�as s�o respons�veis pelas suas pr�prias brincadeiras.

 � papel do educador observar e coletar informa��es sobre as brincadeiras das crian�as para enriquec�-las em futuras oportunidades.

 Sempre que poss�vel o educador deve participar das brincadeiras e aproveitar para questionar com as crian�as sobre as mesmas.

 � importante organizar e estruturar o espa�o de forma a estimular na crian�a a necessidade de brincar, tamb�m visando facilitar a escolha das brincadeiras.

 Nos jogos de regras o professor n�o precisa estimular os valores competitivos, e sim tentar desenvolver atitudes cooperativas entre as crian�as. Que o mais importante no brincar � participar das brincadeiras e dos jogos.

 Devemos respeitar o direito da crian�a participar ou n�o de um jogo. Neste caso o professor tem que criar uma situa��o diferente de participa��o dela nas atividades como: auxiliar com materiais, fazer observa��es, emitir opini�es etc.
 Em uma situa��o de jogo ou brincadeira � importante que o educador explique de forma clara e objetiva as regras �s crian�as. E se for necess�rio pode mud�-las ou adapt�-las de acordo com as faixas et�rias.
 Estimular nas crian�as a socializa��o do espa�o l�dico e dos brinquedos, criando assim o h�bito de coopera��o, conserva��o e manuten��o dos jogos e brinquedos. Exemplos: "quem brincou guarda"; "no final da brincadeira todos ajudam a guardar os materiais" etc.

 Estimular a imagina��o infantil, para isso o professor deve oferecer materiais dos mais simples aos mais complexos, podendo estes brinquedos ou jogos serem estruturados (fabricados) ou serem brinquedos e jogos confeccionados com material reciclado (material descartado como lixo), por exemplo: peda�o de madeira; papel; folha seca; tampa de garrafa; latas secas e limpas; garrafa pl�stica; peda�o de pano etc. Todo e qualquer material cria para a crian�a uma possibilidade de fantasiar e brincar.

 � interessante que o professor providencie para que as crian�as tenham espa�o para brincar (�rea livre), e que possam mexer no mobili�rio, montar casinhas, fazer cabanas, tendas de circo etc.

 O professor deve dar o tempo necess�rio �s crian�as para que as brincadeiras apare�am, se desenvolvam e se encerrem.

 Ser aquele que coordena sua a��o a a��o da crian�a, pelo conhecimento e liga��o com as emo��es desta.

RIZZO (1996) em seu livro "Jogos Inteligentes" analisa com muita propriedade alguns aspectos necess�rios para que um bom educador possa realizar sua atividade com crian�as pequenas. Para a autora o educador:

 Deve ser um l�der democr�tico, que propicia, coordena e mant�m um clima de liberdade para a a��o do aluno, limitado apenas pelos direitos naturais dos outros.
 Deve atuar em sintonia com a crian�a para estabelecer a necess�ria coopera��o m�tua.
 Precisa ter antes constru�do a sua autonomia intelectual e seguran�a afetiva.
 Precisa aliar a teoria � pr�tica e valorizar o conhecimento produzido a partir desta.

 Deve jogar com as crian�as e participar ativamente de suas brincadeiras, talvez seja o caminho mais seguro para obter informa��es e conhecimentos sobre o mundo infantil. (RIZZO, 1996, p.27 e 29)
Espera-se que as sugest�es acima possam abrir novos horizontes, reflex�es e questionamentos para o educador infantil, e que com isso ele possa desenvolver atividades mais conscientes e seguras.


3. Brincar � importante ... por qu�?

Para a professora CUNHA (1994), o brincar � uma caracter�stica primordial na vida das crian�as. Segundo a autora em seu livro "Brinquedoteca: um mergulho no brincar" o brincar para a crian�a � importante:

 Porque � bom, � gostoso e d� felicidade, e ser feliz � estar mais predisposto a ser bondoso, a amar o pr�ximo e a partilhar fraternalmente;

 Porque � brincando que a crian�a se desenvolve, exercitando suas potencialidades;

 Porque, brincando, a crian�a aprende com toda riqueza do aprender fazendo, espontaneamente, sem press�o ou medo de errar, mas com prazer pela aquisi��o do conhecimento;
 Porque, brincando, a crian�a desenvolve a sociabilidade, faz amigos e aprende a conviver respeitando o direito dos outros e as normas estabelecidas pelo grupo;

 Porque, brincando, aprende a participar das atividades, gratuitamente, pelo prazer de brincar, sem visar recompensa ou temer castigo, mas adquirindo o h�bito de estar ocupada, fazendo alguma coisa inteligente e criativa;
 Porque, brincando, prepara-se para o futuro, experimentando o mundo ao seu redor dentro dos limites que a sua condi��o atual permite;

 Porque, brincando, a crian�a est� nutrindo sua vida interior, descobrindo sua voca��o e buscando um sentido para sua vida. (CUNHA, 1994, p. 11)

Sendo assim fica claro que o brincar para a crian�a n�o � uma quest�o apenas de pura divers�o, mas tamb�m de educa��o, socializa��o, constru��o e pleno desenvolvimento de suas potencialidades.

4. Por qu� nem todas as crin�as brincam?

Segundo Declara��o Universal dos Direitos da Crian�a todas as crian�as t�m o direito de brincarem e de serem felizes, mas nem sempre elas t�m essa oportunidade, por qu�?

 Porque precisam trabalhar;
 Porque precisam estudar e conseguir notas altas;

 Porque s�o tratadas como adultos em miniatura;
 Porque n�o podem atrapalhar os adultos;

 Porque n�o t�m com o que brincar;
 Porque n�o tem espa�os (em cidades) apropriados para brincar;

 Porque � preciso aprender e ser inteligente. (CUNHA, 1994, p. 12)

Diante do exposto percebe-se que nem sempre a teoria pode ser aplicada na pr�tica, afinal vivemos em um pa�s que n�o tem dado aos pequenos a devida import�ncia, principalmente no que se refere ao direito de brincar.
5. Crit�rios para escolha de brinquedos

O que � um bom brinquedo para a crian�a?
- � o que atende as necessidades da crian�a. (CUNHA, 1994)

Para que os brinquedos atendam as reais necessidades dos sujeitos envolvidos na a��o l�dica � necess�rio que os seguintes fatores estejam presentes para que isso aconte�a:

Interesse

O brinquedo mais lindo e sofisticado n�o tem valor algum se n�o der prazer � crian�a, pois sua validade � o interesse da crian�a que ir� determinar. Bom brinquedo � o que convida a crian�a a brincar, � o que desafia seu pensamento, � o que mobiliza sua percep��o, � o que proporciona experi�ncias e descobertas.

Para diferentes momentos, diferentes brinquedos poder�o ser mais indicados. Um brinquedo que estimula a a��o, outro que possibilite uma aprendizagem, ou que satisfa�a a imagina��o e a fantasia da crian�a; �s vezes, apenas um ursinho de pel�cia que lhe fa�a companhia.

Dar um carrinho para um menino de 10 anos pode ser t�o ofensivo quanto seria desapontador oferecer um quebra-cabe�as de 500 pe�as a um garoto de 5 anos. Mas nem sempre a crian�a sozinha ir� escolher o melhor brinquedo para ela; um menino, ao entrar numa loja, pode procurar s� rev�lveres ou carrinhos, mas isto n�o significa que s� goste deste tipo de brinquedo, mas sim que s� reconhece estes objetos. Os carros est�o nas ruas por onde a crian�a passa e os rev�lveres e as metralhadoras s�o a fonte do poder, segundo a mensagem passada pelas dezenas de filmes que a crian�a assiste todos os dias na televis�o.

Certos brinquedos precisam ser apresentados � crian�a para que possa imaginar o que pode fazer com eles. 0 que torna um brinquedo atraente para uma crian�a? Um brinquedo pode tornar-se irresist�vel e at� imprescind�vel pelas seguintes raz�es:

 Por haver-se tornado um objeto de afeto; quantas vezes a liga��o com uma boneca, ou um ursinho, � t�o forte que a crian�a n�o dorme sem ele.

 Por representar status, como no caso dos brinquedos anunciados na televis�o ou importados.

 Por darem sensa��o de seguran�a, como os rev�lveres e as fardas de soldados e super-her�is.
 Por atender a uma hiperatividade.

 Por funcionar como objeto intermedi�rio entre a crian�a e uma situa��o dif�cil para ela.

 Por satisfazer uma determinada car�ncia ou atender a uma fantasia.

 Por ser desafio a uma determinada habilidade, como os ioi�s, bambol�s, skates etc.
 Porque algum amigo tem.

Adequa��o

O brinquedo deve ser adequado � crian�a, considerada como indiv�duo especial e diferenciado; deve atender � etapa de desenvolvimento em que a crian�a se encontra e as suas necessidades emocionais, socioculturais, f�sicas ou intelectuais.


Apelo � imagina��o

O brinquedo deve estimular a criatividade. Quando � muito dirigido e n�o oferece alternativas, passa a ser apenas uma tarefa a ser cumprida. � aconselh�vel que haja sempre um convite a participa��o criativa. Entretanto, este apelo deve estar � altura da crian�a. Os jogos muito abstratos n�o conseguir�o motiv�-la, pois, para poder criar, ela precisa ter alguns pontos de refer�ncia.



Versatilidade

O brinquedo que pode ser utilizado de v�rias maneiras � um convite a explora��o e a inventividade. A crian�a pode brincar com algo que j� conhece, mas criando novas formas ou alcan�ando objetivos diferentes. � interessante que o jogo possibilite � crian�a a obten��o de sucesso progressivo, para que, � medida que ela vai conhecendo melhor os recursos que ele oferece, possa alcan�ar n�veis mais altos de realiza��o. Um jogo bem vers�til pode representar um constante desafio �s habilidades da crian�a.



Composi��o

As crian�as gostam de saber como o brinquedo funciona ou como ele � por dentro. Por esta raz�o, os jogos desmont�veis s�o mais interessantes. 0 pensamento l�gico � bastante estimulado pelo manuseio dos jogos de montar, nos quais a crian�a tem oportunidade de compor e observar a seq��ncia necess�ria para a montagem correta.


Cores e formas

As cores mais fortes e as formas mais simples atraem mais as crian�as pequenas. Mas as maiores preferem cores naturais e formas mais sofisticadas. De qualquer maneira, a variedade no colorido, na forma e na textura ir� contribuir para a estimula��o sensorial da crian�a, enriquecendo sua experi�ncia.

O tamanho

Deve ser compat�vel com a motricidade da crian�a. Um beb� n�o pode brincar com pe�as pequenas pois poder� lev�-las a boca, engolir ou engasgar-se com elas. Tamb�m n�o ter� coordena��o motora suficiente para manipular pe�as mi�das. Brinquedos grandes e pesados podem machucar a crian�a ao ca�rem no ch�o.


Durabilidade

Os brinquedos muito fr�geis causam frustra��o n�o somente por se quebrarem facilmente, mas tamb�m porque n�o d�o � crian�a o tempo suficiente para que estabele�a uma boa rela��o com eles.


Seguran�a

Tintas t�xicas, pontas e arestas, pe�as que podem se soltar, tudo isto deve ser observado num brinquedo, para evitar que a crian�a se machuque. Com os beb�s, o cuidado deve ser ainda maior, pois, levando tudo � boca, correm o risco de engolir ou engasgar-se com uma pequena pe�a que se desprenda. Cuidado com os sacos pl�sticos, porque podem provocar sufoca��o se levados � boca ou enfiados na cabe�a. � melhor evit�-los. Nem sempre ser� poss�vel atender a todos estes pr�-requisitos para fazer uma escolha. Mas, pelo menos o primeiro e o �ltimo desta lista ser�o indispens�veis considerar.

6. Sobre a seguran�a dos brinquedos: alguns cuidados e sugest�es

As crian�as, acostumadas que est�o a passarem grande parte do tempo em frente � TV, s�o v�timas ing�nuas dos apelos da publicidade e desorientam os pais com exig�ncias sutis, declaradas e at� abusadas. Como nenhum pai ag�enta a cantilena e at� as pirra�as comuns aos baixinhos contrariados, acabam cedendo aos seus apelos. Mas � necess�rio que estejam atentos para comprarem produtos que tenham alguma utilidade para as crian�as, e mais, que n�o tragam danos imediatos ou futuros. Vamos a alguns conselhos:

 Brinquedo � um tipo de treinamento divertido para a crian�a, atrav�s dele � que ela come�a a aprender, conhecer e compreender o mundo que a rodeia.

 Existem brinquedos para todas as faixas et�rias. N�o adianta for�ar a natureza. Quanto mais adequado � idade da crian�a, mais �til ele �. Se o brinquedo puder ser utilizado em v�rias idades acompanhando o desenvolvimento, melhor ainda.

 Brinquedos que servem para adultos brincarem e crian�as assistirem n�o s�o estimulantes. Pelo contr�rio: habituam a crian�a a ser um mero espectador.

 Bom brinquedo estimula a imagina��o e desenvolve a criatividade. Brinquedos que ensinam apenas a repetir mecanicamente o que os outros fazem s�o prejudiciais, irritantes e mon�tonos.

 Crian�a gosta de brinquedos que possibilitem a��o e movimento, com isso, aprende a coordenar olhos, m�os e o corpo, garantindo com naturalidade e prazer uma maior sa�de f�sica e mental no futuro.

 Brinquedo s�rio � aquele que educa a crian�a para uma vida saud�vel, livre, solid�ria, onde o companheirismo e a amizade sejam os pilares b�sicos.


 Evite tudo o que condiciona a padr�es discut�veis como a discrimina��o sexual, racial, religiosa e social. Afaste brincadeiras que incentivam a vit�ria a qualquer custo, a esperteza fora das regras, a conquista de lucro ilegal, a compra ou venda atrav�s de meios desonestos.


7. Considera��es finais e sugest�es

Tentamos de forma resumida mostrar algumas id�ias sobre o brincar. Agora cabe a cada leitor fazer uma reflex�o mais profunda sobre este tema t�o maravilhoso e ao mesmo tempo misterioso. Esperamos que as informa��es contidas neste trabalho possam ajudar ao educador infantil, na organiza��o e planejamento de suas atividades. � importante colocar que o educador que trabalha diretamente com crian�as pequenas deve sempre que poss�vel ler artigos, textos e livros que falem sobre jogos, brincadeiras, brinquedos, e ainda sobre a crian�a e o seu desenvolvimento. Por isso esperamos que os conte�dos abordados acima venham colaborar de forma objetiva e concreta para uma melhor compreens�o do universo l�dico infantil. E principalmente para uma melhor qualidade educativa na forma��o l�dica do educador infantil. Caro educador n�o esque�a que existem v�rias formas de brincar e nem sempre � preciso dinheiro para isso, s� precisa de imagina��o, ser criativo e acreditar em sonhos. Os estudos feitos por SINGER & SINGER, (1990) citado por PAPALIA (2000) mostra que o brincar de faz-de-conta � um �timo recurso para a realiza��o deste sonho:


I. Cerca de 10 a 17 % do brincar nas crian�as de 2 a 3 anos � o jogo de faz-de-conta;

II. A propor��o aumenta para cerca de 33% nas idades de 4 a 6 anos;


III. A dimens�o do jogo de faz-de-conta muda na propor��o que as crian�as crescem. Passam do jogo imaginativo para o jogo sociodram�tico;


IV. Atrav�s do faz-de-conta, as crian�as aprendem a compreender o ponto de vista de outra pessoa, a desenvolver habilidades na resolu��o de problemas sociais e a expressar sua criatividade;

V. As crian�as que com freq��ncia brincam de faz-de-conta tendem a cooperar mais com outras crian�as e tendem a ser mais populares e mais alegres do que aquelas que n�o brincam de modo imaginativo;

VI. Os adultos e crian�as que brincam de faz-de-conta tendem a ter uma rela��o mais saud�vel e prazerosa;

VII. As crian�as que brincam de faz-de-conta tem mais facilidade de criar suas pr�prias imagens e ser protagonista da a��o l�dica;

VIII. Quanto maior for a qualidade do brincar maior ser� o desenvolvimento cognitivo.


8. Bibliografia consultada e sugest�es


1) ALMEIDA, M.T.P. Jogos divertidos e brinquedos criativos. Petr�polis, RJ: Editora Vozes, 2004.


2) ____. Los juegos cooperativos em la educaci�n f�sica: una propuesta l�dica para la paz. In: Juegos cooperativos. T�ndem. Did�ctica de la Educaci�n F�sica n� 14, ano 4. Barcelona-Espanha: GRA�, 2004, pp. 21 - 31.

3) ____. Os Jogos Tradicionais Infantis em Brinquedotecas Cubanas e Brasileiras. S�o Paulo: USP, 2000. (Disserta��o de Mestrado)

4) ____. Brinquedoteca e a import�ncia de um espa�o estruturado para o brincar. In: Brinquedoteca: o l�dico em diferentes contextos. Petr�polis, RJ: Editora Vozes,1997, pp. 132 -140.


5) ALMEIDA, Paulo Nunes de. Educa��o L�dica - t�cnicas e jogos pedag�gicos. S�o Paulo: Edi��es Loyola, 1987.

6) BERTTELHEIM, Bruno. Uma vida para seu filho. Trad. Maura Sardinha e Maria Helena Geordane. Rio de Janeiro: campus, 1988.

7) BORJA, Maria Sole. O jogo infantil: organiza��o das ludotecas. Lisboa - Portugal: Instituto de Apoio � Crian�a - IAC, 1992.

8) CUNHA, Nylse H. S. Brinquedoteca: um mergulho no brincar. S�o Paulo. Maltese, 1994.

9) KAMII, Constance & DEVRIES, Rheta. Jogos em grupo na educa��o infantil: implica��es da teoria de Piaget. Trad. Marina C�lia Dias Carrasqueira. S�o Paulo: Trajet�ria Cultural, 1991.


10) KISHIMOTO, Tizuko Morchida. O jogo e a educa��o infantil. S�o Paulo: Livraria Pioneira Editora, 1994.
11) ____. O cotidiano da pr�-escola. S�o Paulo: S�rie ID�IAS, n�7, FDE, 1990.
12) LEBOVICI. S. O significado e fun��o do brinquedo na crian�a. Trad. Liana di Marco. Porto alegre: Artes M�dicas, 1985.
13) MARROU, Henri-Ir�n�e. Hist�ria da Educa��o na Antiguidade. S�o Paulo: E.P.U., 1990.

14) OLIVEIRA, Paulo de Salles. O que � brinquedo. S�o Paulo: Editora Brasiliense, 1990.
15) PAPALIA, Diane E. & OLDS, Sally Wendkos. Desenvolvimento Humano. Trad. Daniel Bueno. Porto Alegre: Artes M�dicas Sul, 2000.

16) REGO, Teresa Cristina. Brincar � coisa s�ria. S�o Paulo: Funda��o Samuel,1992.

17) RIZZO, Gilda. Jogos Inteligentes. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil,1996.
Nota:
* Professor da Universidade Federal do Cear� - UFC na Faculdade de Educa��o - FACED no Curso de Educa��o F�sica. Coordenador do Laborat�rio de Brinquedos e Jogos - LABRINJO da UFC. Atualmente desenvolve atividades de pesquisa, ensino, est�gio e extens�o na Faculdade de Educa��o - FACED/UFC. Facilitador de jogos cooperativos na Educa��o F�sica. Membro da diretoria da Associa��o Brasileira de Brinquedotecas - ABBRI.



Editor: Allan Jos� Costa - Revista Virtual EFArtigos




Estudos têm dificuldades para apontar origem das brincadeiras, que integram a cultura popular do mesmo modo que a literatura oral, a música e a culinária


Você sabe quem foi que
inventou a maria-cadeira?
Fotos Reprodução

A pintura "Jogos Infantis", do flamengo Pieter Brueghel, de 1560, que mostra 84 atividades lúdicas










MÔNICA RODRIGUES DA COSTA



Editora da Folhinha

No quadro “Jogos Infantis”, o flamengo Pieter Brueghel (1525?-1569) mostra cerca

Levando-minha-
dama-para-
Londres ou
maria-cadeira
na Bahia de 250 personagens parti- cipando de 84 brincadeiras, em 1560. Grande parte de-
las é conhecida ainda hoje.É o caso da maria-cadeira, Brincadeira da galinha-cega,semelhante à cabra-cega em que duas crianças trançam os braços para formar uma cadeira humana, usada para lançar um dos companheiros, após o canto de um versinho: “Onde vai, Maria Cadeira?/ Vai à casa do capitão,/ O capitão não está em casa,/ Joga Maria Cadeira no chão/ joga Maria Cadeira no chão...”.
De onde vêm as brincadeiras? Ninguém responde com certeza. Elas são universais e fazem parte da cultura popular _como a literatura oral, a música, a culinária.
A brincadeira pode ser considerada uma linguagem. Sigmund Freud (1856-1939) analisou o comportamento de um menino de 18 meses, que se divertia com uma linha presa no carretel. A criança atirava o carretel para longe e perto do berço _e dizia “vor” (perto) e “da” (longe). Para o psicanalista, o jogo seria a vivência simbólica da presença e afastamento da mãe. Melanie Klein (1882-1960) e outros psicanalistas e psicólogos trabalharam com a ludoterapia e atribuíram aos jogos e brincadeiras a função de elaborar sentimentos e vivências. Eles divertem as crianças e as preparam para a realidade.
Homero fala de jogos infantis na “Odisséia”. Em túmulos de crianças do século 4 a.C., na Grécia, foram encontradas bonecas. Mas é impossível dar a palavra final sobre a origem de uma brincadeira, pois ela ganha variantes e se transforma no tempo e no espaço. As primeiras famílias européias que chegaram ao Brasil durante a colonização trouxeram a boneca, o pião e o soldadinho. E também monstros e gigantes, ogros e “trolls”, sereias e duendes, junto com canções de ninar e contos de fada.
Os africanos também contribuíram com criaturas que assustavam as crianças, como o tutu-marambá, o quibungo e o nironga.
Há referências de que as danças de umbigada têm origem africana. Em 1928, Simões Lopes Neto escreveu que certas danças teriam características indígenas e traços portugueses, como o sapateado.
“(...) Parecem haver resultado de uma combinação das danças dos primitivos paulistas, mineiros e lagunenses, com as danças dos açoristas e dos indígenas, mais a meia-canha e o pericon, danças que se usava nas repúblicas do Prata, especialmente em Corrientes, Entre-Rios e Estado Oriental.”
As danças tinham nomes indígenas como anu e tatu, além de chimarrita, chico, galinha-morta, e eram dançadas em bailes chamados fandangos que, a partir de 1840, foram sendo substituídos pelas danças vindas da Europa. Eram divertimentos tanto das classes altas quanto das senzalas.

Muitas dessas danças passaram para as rodas infantis. É o caso da dança que acompanha a canção que diz “Folga, folga, minha gente,/ que uma noite não é nada;/ se não dormires agora,/ dormirás de madrugada!”.
Tudo isso foi sendo misturado ao Brasil que já existia antes de ser descoberto. No imaginário dos índios, antes de eles sofrerem influência das missões catequéticas, heróis reinavam sobre a terra. Além de Macunaíma e Maíra, mitos mais difundidos, Nunes Pereira registrou, em 1940, o mito de Bahira, o herói bem-humorado que roubou o fogo guardado no céu pelos urubus.


Informam Orlando e Claudio Villas Boas que as crianças indígenas brincam durante todo o dia, especialmente com seus arquinhos e flechinhas. Têm, como se vê hoje entre as crianças do país, brincadeiras de disputa.


Com os curumins, as crianças africanas e européias aprenderam a brincar de imitar animais. Essa fusão cultural tem um paralelo no que acontece na mitologia. Em 1905, Max Schmidt apontou para o



Jogo de guerra, que pode ser variante da brincadeira vilão-do-cabo risco de se considerar originais algumas correspondências míticas, como a assimilação de Tupã como Deus, explicada por Camara Cascudo.









Um exemplo da miscigenação cultural e da dificuldade de datar e estabelecer origens pode ser observado nas interpretações sobre o conto jocoso “A Festa no Céu”.









Na Grécia, um aforismo dizia que animal rasteiro não pode querer voar. Isso leva a crer que a história do sapo que foi a uma festa no céu escondido na viola do urubu já tinha uma versão grega.









A história foi registrada entre os índios brasileiros, que provavelmente a conheceram por transmissão dos europeus, e em povos africanos. Uma fábula africana de Angola que diz que a tartaruga (que é sapo ou rã em variantes brasileiras e corresponde, nessa história, à astuta raposa na Europa) é condenada à morte e suplica que não lhe matem pela água, mas pelo fogo. Os inimigos resolvem afogar a tartaruga, e ela se salva.









A história também pode ter vindo do Oriente. O tema aparece no “Panchatranta” (livro da mitologia indiana), que se vulgarizou na Espanha sob a influência árabe. La Fontaine pode ter se baseado nessa obra para criar fábulas.









Para o estudioso Sílvio Romero, a cultura brasileira toma forma a partir do século 17: “No século 16, pois, por uma lei de evolução que dá em resultado antecederem as formas simples às mais compostas, as canções e cantos populares das três raças ainda corriam desagregados, diferenciados. Nos séculos seguintes, sobretudo no 17 e 18, é que se foram cruzando e aglutinando para integrar-se à parte, produzindo o corpo de tradições do povo brasileiro”.









João Ribeiro escreveu no livro “O Folk-Lore” (1919) que as brincadeiras infantis “são mensagens e recados de raça a raça, de povo a povo, de século a século, sem sair da perene onda infantil que os leva a ignorados destinos”.









O estudo das variantes linguísticas das brincadeiras ajuda a estabelecer elos históricos.









Ribeiro faz um estudo da expansão da brincadeira joão-do-cabo. Ele conta que, em 1919, o jogo vintém-queimado existia em Portugal e possessões, com vários nomes. Na Espanha, o nome era joão-das-cadeinhas. Alberto de Faria recolheu em Campinas (SP) a seguinte variante:









_ Vintém queimado!



_ Quem queimou?



_ Pilão do Carmo (Vilão do Cabo).



_ Quer que se prenda?



_ Prendido vá.”









Após o diálogo, vem outra série de versos, que autorizam a passagem de quem está na brincadeira:









_ Passa, passa cavaleiro, pela porta do carneiro!



_ Tem uma corda p’ra me emprestar?



_ Tenho; mas está suja.



_ De quê?



_ De cuspe de galinha!



_ Vamos experimentar...



_ Vamos!”









Depois dessas perguntas e respostas, feitas por dois meninos que estão nos extremos de uma cadeia de crianças de mãos dadas, todos passam sob os braços em arco dos meninos de uma ponta (a porta do carneiro) à outra; em seguida, os meninos dão um puxão para arrebentar a cadeia (a corda). Todo mundo cai.









Então, os dois meninos iniciais marcam no chão o inferno, o purgatório e o céu.









Um fica com a mão direita erguida e espalmada, para que os outros batam nela com as cabeças, enquanto pulam. Quem consegue fazer isso vai para o céu. Os perdedores vão para o purgatório ou inferno. As crianças gritam para quem foi para o inferno:









_ Coisa ruim, tem-tem



_ Pra ganhar vintém!









Ribeiro interpreta que o nome vilão-do-cabo teria vindo do tratamento dado a um dos meninos dos extremos da cadeia (na Espanha, frei João das Cadeinhas). Por sua vez, o nome vintém-queimado seria corruptela de “veinte y un quemados”, da parlenda castelhana da tradição quinhentista.















O-chefe-mandou, variante provável de boca-de-forno



No Nordeste do Brasil, a variante desse jogo é bolotinha-de-cabra e foi recolhida por Julio C. Monteiro. No Ceará, essa brincadeira é conhecida também por bolão-de-cabra, que tem semelhança sonora com “vilão”. No Sul do Brasil, chama-se pilão-do-carmo. Na Bahia, é vilão-do-cabo mesmo.









Se vilão resultou em bolão, por que o nome bolotinha? João Ribeiro explica. Como o jogo na península era também conhecido como juan-de-las-cadenetas (“cadeneta” é cadeia de “lavor e trancelim”), “em Portugal o povo, por zombaria, transformou a expressão em jam-da-caganeta desde o século 18”. Caganeta (ou caganita) designa o excremento da cabra. E aí está a razão “que faz predominar no extremo norte o título de bolão e bolotinha-de-cabra para um jogo que primitivamente se havia de chamar vilão-do-cabo ou jam-da-caganeta”.









E como vilão-do-cabo virou pilão-do-carmo? É possível que vilão tenha sido substituído por peão, que acabou por se transformar em pilão.









A análise dos aspectos linguísticos demonstram o percurso que o jogo fez por Portugal, Espanha e Brasil. A interpretação de uma versão italiana (“tila-tila”) ajuda a descobrir por que um barulho, simulando um tambor, foi incluído na versão brasileira.









A mudança pode ter apenas relação verbal. Explica João Ribeiro: “Quase todas as criações tradicionais devem suas formas a verdadeiros equívocos e trocadilhos das palavras. Só a essência escapa a essas erosões e metamorfoses da linguagem”.









O curioso na parlenda vilão-do-cabo, que deu na boca-de-forno, é que ela repete o tema da comida, que sempre aparece nas brincadeiras infantis: o bolo, o pão e o forneiro. A palavra final sobre essas interpretações, no entanto, ninguém a terá. O resultado desses questionamentos é tão aberto como o do estudo da poesia.



Fonte



WWW.google.com.br



http://www1.folha.uol.com.br/fol/brasil500/brinca8.htm















Minha interpretação



Sobre o quadro



Segundo o site http://www.construirnoticias.com.br/asp/materia.asp?id=751









O quadro jogos infantis, foi pintado em 1560 em óleo sobre painel de madeira, 118x 160,9 cm. Segundo especialistas, a obra pode ter uma mensagem escondida em sua estrutura, supõe-se que o artista usou as brincadeiras de crianças para criticar os lideres que governavam a cidade e a igreja da época. A mensagem seria a seguinte, ”vocês governam como criança”.









O quadro encontra-se no Museu de História da Arte, em Viena.



O site http://www1.folha.uol.com.br/fol/brasil500/brinca8.htm,matéria de Mônica Rodrigues da Costa, editora da Folhinha, descreve que o quadro do artista mostra brincadeiras que são conhecidas até hoje. São 250 personagens participando de 84 brincadeiras no ano de 1560.

O artista



Pieter Brugel nasceu mais ou menos em 1527 em uma cidade próxima a Antuérpia atualmente Bélgica. Em 1522 viaja para Itália visando conhecer obras de artistas mais famosos, como Michelangelo e Rafael. Sua obra recebeu influência grande do artista Hieronymus Bosch, segundo o texto acima é difícil diferenciá-las.
O artista gostava de pintar paisagens e também passou a gostar de pintar pessoas o cotidiano das pessoas simples do campo, o trabalho na colheita e as festas. Suas pinturas são bem detalhistas e sempre trazem mensagem

Já no site http://www1.folha.uol.com.br/fol/brasil500/brinca8.htm,matéria de Mônica Rodrigues da Costa, editora da Folhinha, cita seu nascimento em 1525 com dúvidas, e seu falecimento em 1569.

SE EU FOSSE CRIAR MEU FILHO DE NOVO



Se eu fosse criar meu filho de novo, cuidaria da auto-estima primeiro, e da casa depois.


Faria mais pinturas com dedo, e apontaria menos o dedo.


Disciplinaria menos, e acalentaria mais.


Olharia menos para o relógio, e mais para ele.


Daria mais passeios e empinaria mais pipas.


Pararia de ser séria, e brincaria seriamente.


Correria através de campos, e olharia para mais estrelas.


Daria menos safanões e mais abraços.


Veria mais frequentemente o carvalho em seu fruto.


Falaria menos, e diria mais.


Tomaria para modelo menos o amor ao poder e mais o poder de amar.

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