2 de abril de 2016

Crônica


ORGANIZANDO O QUE APRENDEMOS

Vamos listar as crônicas já lidas em sala de aula:

Camelô Caprichado- Cecília Meireles
A farsa e os farsantes- Carlos Heitor
Bruxas não existem-Moacyr Scliar
A moça tecelã- Marina Colasanti
Defenestração- Luis Fernando Veríssimo
O futebol e a matemática-Moacyr Scliar
O marreco que pagou o pato- Carlos Eduardo Novaes

Depois de resgatarmos as crônicas lidas, vamos responder:
1- Das crônicas lidas em sala , qual você gostou mais?
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Resgataremos aqui uma das crônicas( A moça tecelã)
Inicio_______________________________________________________________________________
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Meio _________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Fim______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________


Camelô caprichado

“Senhoras, senhoritas, cavalheiros! – estudantes, professores, jornalistas, escritores poetas, juízes – todos os que vivem da pena, para a pena, pela pena! – esta é a caneta ideal, a melhor caneta do mundo (marca Ciclope!), do maior contrabando jamais apreendido pela Guardamoria! (E custa apenas 10 reais).

"Esta é uma caneta especial que escreve de baixo para cima, de cima para baixo, de trás para diante e de diante para trás! – (Observem!) Escreve em qualquer idioma, sem o menor erro de gramática! (E apenas 10 reais!)
“Esta caneta não congela, com o frio nem ferve com o calor; resiste à umidade e pressão; pode ir à Lua e ao fundo do mar, sendo a caneta preferida pelos cosmonautas e escafandristas. Uma caneta para as grandes ocasiões: inalterável ao salto, à carreira, ao mergulho e ao voo! A caneta dos craques! Nas cores mais modernas e elegantes: verde, vermelha, roxa... (apreciem) para combinar com o seu automóvel! Com a sua gravata! Com os seus olhos!... (Por 10 reais).
“Esta caneta privilegiada: a caneta marca Ciclope, munida de um curioso estratagema, permite mudar a cor da escrita, com o uso de duas tintas, o que facilita a indicação de grifos, títulos, citações de frases latinas, versos e pensamentos inseridos nos textos em apreço! A um simples toque, uma pressão invisível (assim!) a caneta passa a escrever em vermelho ou azul, roxo ou cor-de-abóbora, conforme a fantasia do seu portador. (E custa apenas 10 reais!).
"Adquirindo-se uma destas maravilhosas canetas, pode-se dominar qualquer hesitação da escrita: a caneta Ciclope escreve por si! Acabaram-se as dúvidas sobre crase, o lugar dos pronomes, as vírgulas e o acento circunflexo! Diante do erro, a caneta pára, emperra – pois não é uma caneta vulgar, de bomba ou pistão, mas uma caneta atômica, sensível, radioativa. Candidatos a concursos, a cargos públicos, a lugares de responsabilidade! – a caneta Ciclope resolve todos os seus problemas ortográficos e caligráficos! E ainda mais esta caneta não apenas escreve, mas pensa! (E por 10 reais.)
“Não mais dificuldades de rima nem de concordância! Com esta caneta pode-se escrever com igual facilidade, qualquer romance policial, peça de teatro, folhetim, artigos, crônicas, procurações e testamentos! Tudo rápido, correto, limpo! Cartas de negócio e cartas de amor! Tudo com o mesmo sucesso: porque esta caneta Ciclope (como o nome esta dizendo) é um gigante que transporta qualquer idéia para qualquer lugar (e custa apenas 10 reais: a melhor caneta, do maior contrabando!)
“A caneta Ciclope não mancha nem enferruja, não acaba nunca, e tem um curioso dispositivo, nestes dois ganchos, podendo ser usada no bolso do paletó ou na manga da camisa! Dourada, prateada, com belos complementos coloridos – é a caneta de escritores, escrivães, escriturários – jornalistas, radialistas, desportistas – (com o mesmo sucesso em qualquer gênero!) – do promotor e do acusado, de todos os que vivem da pena, para a pena e pela pena! (Por 10 reais!)
"Senhoras, senhoritas, cavalheiros, aqui está um bloquinho de papel: Experimentem! Experimentem! Apreciem as tintas, os ganchos, as cores, o ouro e a prata (inoxidáveis!): experimentem a maciez, a presteza, a velocidade, a exatidão! (Por 10 reais!)
"Qualquer pessoa pode ficar célebre, de um momento para outro com o simples uso da caneta Ciclope: uma caneta que escreve, uma caneta que pensa! Exclusiva! Original! Sem precedentes! (E apenas por 10 reais!)
(Ainda não pude comprar a caneta maravilhosa, porque há multidões ao redor do camelô. Mas sua arenga – como as dos tempos eleitorais – não é rica só de esperanças, mas também de severas ameaças para os que vivem da pena, para a pena, e pela pena!...)
Retirado do livro Escolha o seu sonho, de Cecília Meireles. Rio de Janeiro, Record, 1994

A FARSA E OS FARSANTES
É na hora de levantar da mesa que a garota sente a dor. Morde os beiços, solta o grito: − Papai! O pai penteia a menor que vai ao colégio. Cabelos revoltos, cabeça mais revolta ainda, é um drama manter aqueles fiapos arrumados em cima do pequenino crânio que ele tanto ama. − Que foi? E antes de qualquer resposta, abre os braços para receber a filha que vem caindo, aos pedaços, o rosto vermelho, duas lágrimas súbitas correndo, pelas gordas bochechas: − Minha perna! Recebe a filha nos braços, tenta forçá-la a andar, mas o corpo dela cai para o lado, a perna parece endurecida, como se fizesse parte de um outro organismo. Então apela para a força e levanta-a nos braços, já há muito não a segura assim, desde que começara a ficar mocinha. No trajeto da sala para o quarto lembra noites antigas, em que a menina acordava e pedia colo, ele ficava a noite inteira com o pequenino corpo nos braços, andando pelo escuro com sua preciosa carga feita de amor, medo e duas mãozinhas que o agarravam quando tentava deitá-la outra vez na cama. Agora, o corpo cresceu, pesa em seus braços, mas a fragilidade da menina é a mesma. A menor fica pelos cantos, a cara amarrada, rosnando. Numa pausa, enquanto procura a pomada para fazer a fricção doméstica, vê a menor tirando o uniforme. − Quê que é isso? Você não vai ao colégio? A resposta é negativa. Se a outra não vai, ela também não vai. O pai argumenta com a dor, a pomada cor de iodo que começa a esfregar pelos joelhos da outra, mas a menor é sábia e vil quando insinua: − Isso é embromação, papai! Ela não tem nada! A vontade primeira é esfregar pomada no nariz dela. Nunca a mais velha fingiria a esse ponto. Espinafra a menor, cita exemplos antigos e convincentes, apanha a merendeira e a pasta, empurra-a pelo elevador, e quase se esquece de recomendar à empregada para desculpar a falta da outra. E a outra faz o seu papel de dor e impotência. As lágrimas secam, mas a perna ainda dói - e ele descobre um vermelhão perto dos joelhos e teme. Olha uma velha imagem de Santa Luzia que a mãe lhe havia dado, pensa mecanicamente em rezar, pedir proteção para aquele joelho, mas assim também não, é covardia demais, e prefere telefonar para o médico. Quando acaba de discar, e antes de o médico atender, a filha já se levantara e correra ao telefone para cortar a ligação. − Não precisa não, papai, eu já estou boa! − O quê! E novo pranto, desta vez mais sincero: aos soluços, a verdade é dita: − Eu não sabia nada para a prova, papai! Alisa os cabelos da filha, feliz já, de não ser nada. E a certeza de que a filha não tivera nada lhe dá súbita e incontrolada ternura. Beija-a avidamente, reencontrado em sua rotina e sossego. − E agora? Agora, é tratar de passar a tarde juntos, como há muito tempo não passavam. Desencavam velhas revistas, deitam-se na cama e ficam vendo figuras, depois jogam uma partida de batalha naval, A6, F7, D8 − água. Acerta uma parte do cruzador. Água. Ela ganha por dois submarinos e um pedaço de avião. − Vamos fazer banana frita? Enxotam as duas empregadas da cozinha e fazem, eles mesmos, a banana frita, e comem com avidez e grandes goles de guaraná. Até que, de repente, quando maior é a comilança, ouvem o barulho do elevador que pára no andar. − É ela! Pelo jeito furioso de bater a campainha, é mesmo a menor que volta do colégio. Então, pai e filha olham-se nos olhos e correm para o quarto. Quando a outra chega, encontra a irmã gemendo sobre a cama, e o pai, apreensivo e corrupto, abaixando o termômetro com grandes solavancos, para ver se a febre já tinha passado. 2 0
 A farsa e os farsantes (Texto I), de Carlos Heitor Cony, publicada em Antologia de crônicas (Rio de Janeiro: Ediouro, 2005, pp. 23-24)

Bruxas não existem- Moacyr Scliar

Quando eu era garoto, acreditava em bruxas, mulheres malvadas que passavam o tempo todo maquinando coisas perversas. Os meus amigos também acreditavam nisso. A prova para nós era uma mulher muito velha, uma solteirona que morava numa casinha caindo aos pedaços no fim de nossa rua. Seu nome era Ana Custódio, mas nós só a chamávamos de "bruxa". 

Era muito feia, ela; gorda, enorme, os cabelos pareciam palha, o nariz era comprido, ela tinha uma enorme verruga no queixo. E estava sempre falando sozinha. Nunca tínhamos entrado na casa, mas tínhamos a certeza de que, se fizéssemos isso, nós a encontraríamos preparando venenos num grande caldeirão. 

Nossa diversão predileta era incomodá-la. Volta e meia invadíamos o pequeno pátio para dali roubar frutas e quando, por acaso, a velha saía à rua para fazer compras no pequeno armazém ali perto, corríamos atrás dela gritando "bruxa, bruxa!". 

Um dia encontramos, no meio da rua, um bode morto. A quem pertencera esse animal nós não sabíamos, mas logo descobrimos o que fazer com ele: jogá-lo na casa da bruxa. O que seria fácil. Ao contrário do que sempre acontecia, naquela manhã, e talvez por esquecimento, ela deixara aberta a janela da frente. Sob comando do João Pedro, que era o nosso líder, levantamos o bicho, que era grande e pesava bastante, e com muito esforço nós o levamos até a janela. Tentamos empurrá-lo para dentro, mas aí os chifres ficaram presos na cortina. 

- Vamos logo - gritava o João Pedro -, antes que a bruxa apareça. E ela apareceu. No momento exato em que, finalmente, conseguíamos introduzir o bode pela janela, a porta se abriu e ali estava ela, a bruxa, empunhando um cabo de vassoura. Rindo, saímos correndo. Eu, gordinho, era o último. 

E então aconteceu. De repente, enfiei o pé num buraco e caí. De imediato senti uma dor terrível na perna e não tive dúvida: estava quebrada. Gemendo, tentei me levantar, mas não consegui. E a bruxa, caminhando com dificuldade, mas com o cabo de vassoura na mão, aproximava-se. Àquela altura a turma estava longe, ninguém poderia me ajudar. E a mulher sem dúvida descarregaria em mim sua fúria. 

Em um momento, ela estava junto a mim, transtornada de raiva. Mas aí viu a minha perna, e instantaneamente mudou. Agachou-se junto a mim e começou a examiná-la com uma habilidade surpreendente. 

- Está quebrada - disse por fim. - Mas podemos dar um jeito. Não se preocupe, sei fazer isso. Fui enfermeira muitos anos, trabalhei em hospital. Confie em mim. 

Dividiu o cabo de vassoura em três pedaços e com eles, e com seu cinto de pano, improvisou uma tala, imobilizando-me a perna. A dor diminuiu muito e, amparado nela, fui até minha casa. "Chame uma ambulância", disse a mulher à minha mãe. Sorriu. 

Tudo ficou bem. Levaram-me para o hospital, o médico engessou minha perna e em poucas semanas eu estava recuperado. Desde então, deixei de acreditar em bruxas. E tornei-me grande amigo de uma senhora que morava em minha rua, uma senhora muito boa que se chamava Ana Custódio.
Moacyr Scliar, autor desta crônica, é escritor e tem mais de 70 livros publicados. Ganhou o Prêmio Jabuti quatro vezes e é membro da Academia Brasileira de Letras (ABL).

O futebol e a matemática
MOACYR SCLIAR

Modelo matemático prevê gols no futebol Mundo, 23.mar.99

O técnico reuniu o time dois dias antes da partida com o tradicional adversário. Tinha uma importante comunicação a fazer.
- Meus amigos, hoje começa uma nova fase na vida do nosso clube. Até agora, cada um jogava o futebol que sabia. Eu ensinava alguma coisa, é verdade, mas a gente se guiava mesmo era pelo instinto. Isso acabou. Graças a um dos nossos diretores, que é um cara avançado e sabe das coisas, nós vamos jogar de maneira completamente diferente. Nós vamos jogar de maneira científica.
Abriu uma pasta e de lá tirou uma série de tabelas e gráficos feitos em computador.
- Sabem o que é isso? É o modelo matemático para o nosso jogo. Foi feito com base em todas as partidas que jogamos contra o nosso adversário, desde 1923. Está tudo aqui, cientificamente analisado. E está aqui também a previsão para a nossa partida. Eles provaram estatisticamente que o adversário vai marcar um gol aos 12 minutos do primeiro tempo. Nós vamos empatar aos 24 minutos do segundo tempo e vamos marcar o gol da vitória aos 43 minutos. Portanto, não percam a calma. Esperem pelo segundo tempo. É ai que vamos ganhar.
Os jogadores se olharam, perplexos. Mas ciência é ciência; tudo o que eles tinham a fazer era jogar de acordo com o modelo matemático.
Veio o grande dia. Estádio lotado, começou a partida, e, tal como previsto, o adversário fez um gol aos 12 minutos. E aí sucedeu o inesperado.
Um jogador chamado Fuinha, um rapaz magrinho, novo no time, pegou a bola, invadiu a área, chutou forte e empatou. Cinco minutos depois, fez mais um gol. E outro. E outro. O jogo terminou com o marcador de 7 a 1, um escore nunca registrado na história dos dois times.
Todos se cumprimentavam, felizes. Só o técnico não estava muito satisfeito:
- Gostei muito de sua atuação, Fuinha, mas você não me obedeceu. Por que não seguiu o modelo matemático?
O rapaz fez uma cara triste:
- Ah, seu Osvaldo, eu nunca fui muito bom nessa tal de matemática. Aliás, foi por isso que o meu pai me tirou do colégio e me mandou jogar futebol. Se eu soubesse fazer contas, não estaria aqui, jogando para o senhor.
O técnico suspirou. Acabara de concluir: uma coisa é o modelo matemático. Outra coisa é a vida propriamente dita, nela incluída o futebol.


O escritor Moacyr Scliar escreve nesta coluna, às segundas-feiras, um texto de ficção baseado em notícias publicadas no jornal.

A MOÇA TECELÃ- MARINA COLASANTI
 "Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite.  E logo sentava-se ao tear.

          Linha clara, para começar o dia.  Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.

          Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.

          Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo.  Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido.  Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.

          Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.

          Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.

          Nada lhe faltava.  Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas.  E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido.  Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete.  E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranquila.

          Tecer era tudo o que fazia.  Tecer era tudo o que queria fazer.

          Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.

          Não esperou o dia seguinte.  Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado.  Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponto dos sapatos, quando bateram à porta.

          Nem precisou abrir.  O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida.

          Aquela noite, deitada no ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.

          E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu.  Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.

          — Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher.  E parecia justo, agora que eram dois.  Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer.

          Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.
     — Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou.  Sem querer resposta imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates em prata.

          Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia.  Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira.

          Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.
          — É para que ninguém saiba do tapete — ele disse. E antes de trancar a porta à chave, advertiu: — Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos!

          Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados.  Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.

          E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros.  E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.

         Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça, para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.

          Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins.  Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.

          A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta. Não teve tempo de se levantar.  Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas.  Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.

          Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara.  E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte."

 Marina Colasanti (1938) nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil.  Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis.  Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei, mas não devia e também por Rota de Colisão.

     Dentre outros, escreveu 
E por falar em amor, Contos de amor rasgados, Aqui entre nós, Intimidade pública, Eu sozinha, Zooilógico, A morada do ser, A nova mulher, Mulher daqui pra frente, O leopardo é um animal delicado, Esse amor de todos nós, Gargantas abertas e os escritos para crianças Uma idéia toda azul e Doze reis e a moça do labirinto de vento. 

     Colabora, também, em revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil.  Casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.

                    (Texto e perfil extraídos do livro "Doze Reis
                    e a Moça no Labirinto do Vento", Global 
                    Editora, RJ, 2000.)

DEFENESTRAÇÃO (Luís Fernando Veríssimo Veríssimo)

 Pretendo, postando esta crônica de Luís Fernando Veríssimo, ressaltar o quanto de profético pode haver numa obra de ficção, que muitas vezes é superada pela realidade. Afinal  o autor não poderia supor o quanto seria farta e lamentavelmente usado, como nestes dias, três décadas após a edição desta crônica,  o verbo DEFENESTRAR.

     "Certas palavras tem o significado errado. Falácia, por exemplo, devia ser o nome de alguma coisa vagamente vegetal. As pessoas deveriam criar falácias em todas as suas variedades. A falácia Amazônica . A misteriosa falácia Negra.

     Hermeneutas deveria ser o membro de uma seita de andarilhos herméticos. Onde eles chegassem, tudo se complicaria.
     -Os hermeneutas estão chegando!
     -Lh, agora é que ninguém vai entender mais nada...
     Os hemeneutas ocupariam a cidade e paralizariam todas as atividades produtivas com seus enígmas e frases ambíguas. Ao se retirarem deixariam a população prostrada pela confusão. Levaria semanas até que as coisa recuperassem o seu sentido óbvio. Antes disso, tudo pareceria ter um sentido oculto.
     -Alô...
     - O que é que você quer dizer com isso?...

     Traquinagem devia ser uma peça mecânica.
     - Vamos ter que trocar a traquinagem. E o vetor está gasto.

     Plúmbeo devia ser o barulho que o corpo faz ao cair na água

     Mas nenhuma palavra me fascinava tanto quanto defenestração.
     A princípio foi o fascínio da ignorância. Eu não sabia o seu significado, nunca me lembrava de procurar no dicionário e imaginava coisas. Defenestrar devia ser um ato exótico praticado por poucas pessoas. Tinha até um som lúbrico. Galanteadores de calçada deviam sussurrar no ouvido das mulheres:
     -Defenestras?
     A resposta seria um tapa na cara. Mas algumas...Ah, algumas defenestravam.
     Também podia ser algo contra pragas e insetos. As pessoas talvez mandassem defenestrar a casa. Haveria assim defenestradores profissionais.
     Ou quem sabe seria uma daquelas misteriosas palavras que encerravam os documentos formais? "Nestes termos, pede defenestração..." Era uma palavra cheia de implicações. Devo tê-la usado uma ou outra vez, como em:
     -Aquele é um defenestrado.
     Dando a entender que era uma pessoa, assim, como dizer? Defenestrada. Mesmo errada era a palavra exata.

     Um dia finalmente procurei no dicionário. E aí está o Aurelião que não me deixa mentir. "Defenestração" vem do francês defenestration. Substantivo feminino, ato de atirar alguém ou algo pela janela.
Acabou a minha ignorância mas não a minha fascinação. Um ato como este só tem nome próprio e lugar nos dicionários por alguma razão muito forte. Afinal,não existe, que eu saiba, nenhuma palavra para o ato de atirar alguém ou algo pela porta, ou escada abaixo. Por que, então, defenestração?
     Talvez fosse um hábito francês que caiu em desuso. Como rapé. Um vício como o tabagismo ou as drogas, suprimido a tempo.
     -Les defenestrations. Devem ser proibidas.
     -Sim, monsieur le ministre.
     -São um escândalo nacional. Ainda mais agora, com os novos prédios.
     -Sim, monsieur le ministre.
     -Com prédios de três, quatro andares, ainda era admissível. Até divertido. Mas daí para cima vira crime. Todas as janelas do quarto andar para cima devem ter um cartaz: interdit de defenestrer. Os transgressores serão multados.. Os reincidentes serão presos.
     Na bastilha, o Marquês de Sade deve ter convivido com notórios defenestreurs. E a compulsão, mesmo suprimida, talvez persista no homem, como persiste na sua linguagem. O mundo pode estar cheio de defenestradores latentes.
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(Luís Fernando Veríssimo. O Analista de Bagé. 6ª ed. Porto Alegre.L&PM ed. 1981. p. 29-31)

     

26 de março de 2016

Conto: O enigma do outro lado da autora Stella Carr

Estratégia de Leitura:
A- Colocar o título no quadro e perguntar a respeito da palavra: Enigma. O que significa?
As crianças participarão, acredita-se que a maioria saiba o significado da palavra, se acaso não souberem, o professor pode pedir que alguém procure no dicionário e ler em voz alta para a classe toda. O professor ajuda-os a compreender e dar sentido ao título que foi escrito no quadro:
# Há um mistério do outro lado?
# Que lado é esse? Qual lugar?
Conforme as crianças vão falando, o professor as escuta e dá a seguinte devolutiva: “ Pode ser, quem pensa diferente?”
B- Revelar que o outro lado é: O outro lado da porta e contar que nessa leitura aparecerão quatro personagens.
# Que personagens vocês acreditam que possam compor esse conto?

C- Em seguida realizar a leitura com pausa protocolada ou leitura dialogada:
O enigma do outro lado
— De onde você vem, Nanico?
Magro, amarelo e muito comprido, Nanico estava um pouco curvado, cansado de tanto esperar.
— Venho da periferia, ali perto da estação. Éramos muitos irmãos, todos bem 
unidos.Os outros já se foram… fiquei só eu.(O que será que aconteceu com os irmãos de Nanico?)
Só de falar nisso, Nanico foi ficando pálido, com manchas escuras.
Zé Pereira entrou na conversa:
— Você parece doente, cara. Quem sabe com isso você escapa — o Zé falou, olhando para a porta fechada, que dava para o outro lado.
— É inútil resistir. Todos nós vamos ter que passar por aquela porta, mais cedo ou mais tarde. (O que vocês imaginam que acontece as personagens após passar pela porta?)
-Mas o que deixa a gente nervoso é a espera. Acaba-se ficando mole e não prestando mais pra nada! — Nanico gemeu , parecendo mais murcho e curvado.
— Que pessimismo é esse, Nanico? — perguntei, tentando animar o coitado, usando minha intuição feminina .
— É o calor, eu acho — o compridão respondeu.
— Ora, você devia estar acostumado, é de um país tropical… nós estrangeiros, habituados a
climas frios, é que sofremos mais — disse eu, sufocando, ficando mais vermelha do que já sou.
Zé Pereira remexeu-se inquieto, rolou o corpo um pouco para o lado e se queixou:
— Eu é que estou passando mal. Acidez, eu acho. Me trouxeram pra cá cedo demais… não era a minha hora.
— Você está impressionado com a espera, isso sim. Não quer confessar, mas está com medo — provocou Nanico.
— Vocês não entendem, eu sou do campo. Nasci na fazenda, ao ar livre. Aqui é úmido e abafado!
— Pois sei como você se sente. Também sou do campo — falei, tentando dar uma força ao companheiro. Zé Pereira respondeu:
— Ora, você não parece sentir a mudança. Continua gorda e rosada!
Ele estava de fato verde. Mas não notou que uma mancha escura e redonda já aparecia na minha pele avermelhada, um perigoso e alarmante sinal para a minha saúde.
Nanico levantou-se atento:
––Vocês ouviram o barulho do outro lado? Será que ele já vem?
Nanico se curvou ainda mais. Parecia ter um peso nas costas.
–– Fico pensando: qual de nós três irá primeiro? Ainda me lembro quando meus irmãos se foram. Naquele tempo não era ruim esperar, porque a gente não desconfiava. Estávamos todos felizes,como se fosse uma aventura! Tudo era novidade: a viagem, nossa chegada aqui… Então vieram buscar o primeiro. Foi minha irmã. E ela nunca mais voltou.
–– Não lembre coisas tristes, Nanico — eu falei, tremendo. Mas Nanico continuou:
–– Depois vieram buscar o segundo. E mais outro, e mais outro. Fiquei só eu! Me esqueceram, não sei por quê … Então chegaram vocês.
— O que será que acontece lá dentro? — Zé Pereira perguntou.
— Não sei. Só sei que ninguém volta. Quem passa por aquela porta fica — Nanico afirmou. (E vocês o que acham que acontece lá dentro?)
— Não pode ser tão ruim — eu comentei — , acho que estamos com medo à toda. Sabem de uma coisa? Vai ver que do outro lado não tem nada! ( e vocês concordam com essa personagem?)
Nisso a porta se abriu. Agarraram … (quem vocês imaginam que foi agarrado?) Zé Pereira e o levaram embora. E a porta se fechou de novo.
— Por que não me levaram? — gemeu Nanico. — Estou me sentindo tão mal ! Zé Pereira era tão jovem, até sofria de acidez…
— Quem pode saber? — eu falei.
— Zé Pereira, a essa hora, já sabe — respondeu Nanico.
— Mas não volta mais pra contar. Ninguém voltou até hoje — lembrei.
Nanico ficou em silêncio. Deitou o corpo de lado. Acho que até cochilou um pouco. Coitado! A espera estava acabando com ele. Já estava na sala quando eu cheguei. Sempre falando dos irmãos que se foram!
Nisso, a porta se abriu de novo, e dessa vez( quem será que foi levado?) levaram o Nanico. Fiquei sozinha, sem ninguém para conversar, esperando a minha vez…
A mancha escura em minha pele parecia ter aumentado, eu já não sentia a mesma disposição de antes. Não sei quanto tempo passou . O silêncio, a solidão aumentam o nervosismo e confundem a gente…
Finalmente, a porta se abriu e me agarraram também. Agora eu vou saber: vou descobrir o “grande segredo da vida”!( e o que vocês imaginam que ela vai descobrir?)
O outro lado é uma sala igual à primeira, mas tem uma mesa grande no meio, rodeada de cadeiras. Estou imobilizada …( em que lugar vocês imaginam que levaram a última personagem?) Com uma das mãos um homem me segura. Com a outra pega uma faca afiada.( o que vocês imaginam que o homem fazer com a personagem?)
E vai tirando em fatias a minha pele.
Depois, ele abre a boca com imensos dentes amarelos e vai se aproximando …(e agora o que vai acontecer?) Sinto o bafo, vejo a sua língua. Então me dá uma enorme dentada! (será que saberemos o segredo? — como? Agora, vamos ouvir o desfecho da história)
Mas eu ainda tenho tempo de ver, no prato sobre a mesa, a casca amarela e pintada do Nanico, o cabinho e os caroços do Zé Pereira.
— Então, é esse o destino das frutas?
Stella Carr. Assombrassustos. São Paulo: Moderna,1995.
D- Questionar se as crianças gostaram desse tipo de leitura, e se sabe qual é o Gênero Textual;
– Mediar a participação das crianças…
* Por que este texto não pode ser uma fábula?
– Porque não traz um ensinamento…
* É um conto de fadas? Não? Por que?
– Porque contos de fadas começam com era uma vez, tem reinos, princesas, magia, a luta entre o bem e o mal…
* Pode ser um poema?
– Não, porque não tem versos…
• Então o “ Enigma do Outro lado” pertence a qual Gênero Textual?
— Ao Gênero Contos de Mistério
1- Quem são os quatro personagens do texto?
2- No final o mistério foi revelado? O que havia atrás da porta?
3- Como são as características físicas e psicológicas apontadas para cada personagem de acordo com o texto?
Pessoa:
Banana:
Pera:
Maçã:
4- Qual personagem é mais otimista?
5- Quais palavras foram usadas para descrever que as frutas estavam com medo?
6- Preparar no caderno de descobertas um espaço para anotar em forma de lista expressões e palavras utilizadas para causar medo, suspense e mistério nos contos.
7- Crianças e professor poderão decorar a sala baseando nos Contos de Mistério, Podem ser decorados com gatos pretos, Lua Cheia, morcegos, teias de aranha, e tudo o mais o que as crianças trouxerem de ideia…
2- Diagnóstico
_ Escolher coletivamente com as crianças as personagens e local para eles produzirem um conto de mistério.
Nessa produção o professor pode analisar o que as crianças já sabem a respeito do Gênero.
O professor pode ainda guardar estas primeiras produções para, ao final da Sequência Didática, apresentar as crianças para que elas façam um comparativo entre o que sabiam e o que aprenderam.

SEQUÊNCIA DIDÁTICA: CONTOS DE MISTÉRIO

Etapas

1. Apresentação da proposta aos alunos.
2. Leitura prazerosa (diária ou por capítulos ampliação de repertório)
3. Leitura, compreensão e interpretação de contos de mistérios
4. Leitura de produção (ler para escrever – identificar os recursos que dão ao texto o status de boa qualidade, através de banco de dados ou listas)
5. Produzir uma galeria de personagens e ambientes (com legendas descritivas)
6. Planejar o conto
7. Produzir o conto
8. Revisar o conto
9 Ilustração do conto
10. Editar o conto
11. Escolha do conto a ser dramatizado
12. Elaboração coletiva da apresentação do livro e do teatro do conto escolhido,
13. Convite (para o lançamento do livro na biblioteca central da escola)
14. Apresentação do teatro e do livro na biblioteca da escola.

20 de março de 2016

Trabalhando pontuação.

JOGRAL DA PONTUAÇÃO
               GRAÇA BATITUCI
SOU UM PINGUINHO LEGAL,
DOU UM FIM A UM PENSAMENTO.
MEU NOME É PONTO FINAL.
ESTÃO ME CHAMANDO...UM MOMENTO.

SOU MUITO CURIOSO.
TUDO, TUDO, QUERO SABER.
POR ISSO SEMPRE APAREÇO,
NO FIM DE PERGUNTAS, QUEREM VER?

ADMIRAÇÃO, MEDO, ESPANTO.
ALEGRIA, DOR E SURPRESA.
SOU O PONTO DE EXCLAMAÇÃO.
E NA FRASE FICO UMA BELEZA!

SE ALGUÉM ME PERGUNTAR:
QUEM É VOCÊ, SEU ZEZINHO?
EU SOU OS DOIS PONTOS:
MOSTRO QUE A FALA ESTÁ A CAMINHO.

SOU UM TRACINHO PEQUENO,
USADO SEMPRE EM DIÁLOGOS.
INDICAR A FALA DE ALGUÉM,
É BOM, E EU NÃO ME CALO.

Vamos pontuar esse texto? A quem ele deixará a fortuna?


O Mistério da Herança
 Um homem rico estava muito mal, agonizando. Dono de uma grande fortuna, não teve tempo de fazer o seu testamento. Lembrou, nos momentos finais, que precisava fazer isso. Pediu, então, papel e caneta. Só que, com a ansiedade em que estava para deixar tudo resolvido, acabou complicando ainda mais a situação, pois deixou um testamento sem nenhuma pontuação. Escreveu assim:
'Deixo meus bens a minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do padeiro nada dou aos pobres.' 
 Morreu, antes de fazer a pontuação.




PONTUAÇÃO

   PONTUAÇÃO É A UTILIZAÇÃO DE SINAIS GRÁFICOS PARA AUXILIAR A COMPREENSÃO DA LEITURA. OS SINAIS DE PONTUAÇÃO SÃO:
·(.) PONTO FINAL: QUE APONTA O FINAL DE UMA FRASE.
·(,) VÍRGULA: INDICA UMA PAUSA NA LEITURA.
·(;) PONTO-E-VÍRGULA: APONTA UMA PAUSA MAIOR QUE UMA VÍRGULA.
·(:) DOIS PONTOS: É USADO PARA INICIAR UMA EXPLICAÇÃO.
·(?) PONTO DE INTERROGAÇÃO: É COLOCADO NO FINAL DA FRASE E INDICA UMA PERGUNTA.
·(!) PONTO DE EXCLAMAÇÃO: MOSTRA ESPANTO, ADMIRAÇÃO, SURPRESA, ETC.
·(  – ) TRAVESSÃO: USAMOS NO INICIO DE DIÁLOGOS OU PARA DESTACAR PARTES DE UMA FRASE.

EXERCÍCIOS

1)    PONTUE AS FRASES ABAIXO ADEQUADAMENTE:

A)   MARIA E JOANA FORAM AO TEATRO
B)   CAMILA COMPROU UMA CALÇA UMA BLUSA E UMA SANDÁLIA
C)   QUE DIA É HOJE
D)   OLHA QUE CARRO LINDO
E)   MAMÃE DISSE
VOCÊ JÁ JANTOU
F)   QUE FILME MARAVILHOSO
G)   NÃO VOU AO CINEMA
H)   CARLOS VENHA ALMOÇAR

2)    COMPLETE O TEXTO ABAIXO COM A PONTUAÇÃO CORRETA:

MEU AMIGO LANÇA FORA ___ ALEGREMENTE ___ O JORNAL QUE ESTÁ LENDO E DIZ___
___ CHEGA ___ HOUVE UM DESASTRE DE TEM NA FRANÇA ___ UM ACIDENTE DE MINA NA INGLATERRA ___ UM SURTO DE PESTE NA ÍNDIA ___ VOCÊ ACREDITA NISSO QUE OS JORNAIS DIZEM ___ SERÁ O MUNDO ASSIM ___ UMA BOLA CONFUSA ___ ONDE ACONTECEM UNICAMENTE DESASTRES E DESGRAÇAS ___ NÃO ___ OS JORNAIS É QUE FALSIFICAM A IMAGEM DO MUNDO ___
MAIS OPÇÕES:
Piada para pontuar:
A dona de casa falando com o açougueiro:
— Quanto está o quilo da carne de segunda___
— Quatro e oitenta e cinco___
— Credo, que roubo___ O senhor não tem coração___
— Tenho sim, dona___ Tá quatro e cinqüenta___



O amigo da onça
Dois caçadores dividem uma barraca
Um deles pergunta
E se aparecesse uma onça agora
Eu dava um tiro nela
E se você estivesse sem arma
 E sevocê estivesse sem facão
Eu subia numa árvore
E se não tivesse árvore
Eu corria
E
se você estivesse paralisado de medo
Pô, você é meu amigo ou amigo da onça

A FESTA NO CÉU
Havia uma festa no céu         O sapo cururu não foi convidado           Ele falou para o urubu       
      Será que eu não fui convidado porque não sei voar       
      No dia seguinte ele tomou uma decisão e falou
     Já sei           Vou me esconder na viola do urubu
Mas o urubu descobriu o sapo no seu violão

O sapo percebeu a raiva do urubu e berrou
     Não me jogue na lagoa, senão eu morro          Jogue-me nas pedras

O urubu pra contrariar o sapo, jogou-o na lagoa e o sapo ficou bem feliz

Que urubu bobo         O sapo enganou um bobo na casca do ovo



A mãe pergunta ao filho Pra que você quer dinheiro Juquinha responde Pra dar a um velhinho A mãe continua Muito bem E quem é  esse velhinho Juquinha explica É aquele que grita Olha a pipoca quentinha

O Juquinha reclama com a mãe Ô mãe Tem uma mosca dentro da minha sopa O irmãozinho mais novo interrompe Não liga não Mosca não come muito

A mãe fala para o filho Dona Mariquinha veio se queixar que você quebrou a vidraça da casa dela... é verdade Foi um acidente mamãe Mas como aconteceu Eu estava arrumando o estilingue e ele disparou

O guarda chegou para o pescador dizendo que era proibido pescar Mas eu não estou pescando Como não Não está com a vara na mão  Estou E na ponta da vara não tem uma linha Tem e no final da linha não tem um anzol Tem sim E no anzol não tem uma minhoca Tem sim senhor E a minhoca não está dentro da água Está Então O senhor está pescando Não senhor Estou dando banho na minhoca

A vizinha chega na casa de Doca e pergunta Quem quebrou o vidro da minha janela Foi o meu irmão Responde Doca E como ele fez isso Ele se abaixou bem na hora que eu joguei uma pedra nele

O médico pergunta ao louco Diga-me às vezes o senhor ouve uma voz sem saber de quem é e nem de onde vem Sim senhor Justamente o que eu julgava E quando acontece isso Quando atendo o telefone

A professora perguntou à menina Onde está Deus Ela respondeu No banheiro da minha casa porque eu sempre escuto minha mãe dizendo Meu Deus você ainda está no chuveiro

Um sujeito telefonava para o consultório médico  Quero marcar uma consulta para amanhã Sinto muito senhor Só temos vaga para daqui  quinze dias Mas até lá eu posso estar morto Neste caso mande alguém ligar e desmarcar a consulta


4 de março de 2016

Atividades com o conto "O último cuba -libre" Marcos Rey

O Último Cuba-libre
Marcos Rey
Durante o dia, Adão Flores era um gordo como qualquer outro. Sua atividade e seu charme começavam depois das 22 horas e às vezes até mais tarde. Então era visto levando seus 120 quilos às boates, bistrôs e inferninhos da cidade, profissionalmente, pois não só gostava da noite como também vivia dela. Empresário de modestos espetáculos, era a salvação última de cantores, mágicos, humoristas decadentes. […]
Como o tempo, Adão Flores adquiriu outra profissão, paralela à de empresário da noite, a de detetive particular, mas sem placa na porta e mesmo sem porta, atividade restrita apenas a cenários noturnos e pessoas conhecidas. Apesar de agir esporadicamente e circunscrito a poucos quarteirões, Adão Flores começou a ganhar certa fama graças a um jornalista, Lauro de Freitas, que começava a fazer dele personagem frequente em sua coluna, a ponto de muita gente supor tratar-se de ficção e mais nada.
Adão Flores apareceu no “Yes-Club”, cumprindo seu itinerário habitual. Rara era a noite em que não comparecia ao tradicional estabelecimento da Bianca, onde seus casos tinham grande repercussão […]. Mas nem teve tempo de sentar-se. Uma mulher, nervosíssima, que já o aguardava, aproximou-se dele um tanto ofegante.
– Lembra-se de mim, Adão?
– Estela Lins?! Como vai o malandro do seu marido? Anda sumido!
– É por causa dele que estou aqui. Adão, você pode me acompanhar? Meu carro está na porta. É um caso grave.
– O que aconteceu?
– Direi tudo no carro.
Júlio Barrios, mexicano, cantor de boleros, fora um dos contratados de Adão que mais lhe deram dinheiro nos quase dez anos que estivera sob contrato. […] Quando o público se cansou dele, Flores levou-o às churrascarias, salões da periferia e cidades do interior, etapas do declínio de qualquer cantor. Júlio não se abateu totalmente, pois, enquanto tivesse uma mulher apaixonada a seu lado, podia levar a vida.
Estela dirigia atabalhoadamente um fusca em estado de desmaterialização.
– Disse que Júlio está assustado?
– Disse apavorado.
– Por quê?
– Telefonemas ameaçadores.
– Quem seria a pessoa?
– Ele diz que não sabe.
– Mas você acha que sim.
– Pode ser algum traficante de drogas.
– Ora, Júlio nunca mexeu com isso. Trabalhamos juntos anos a fio e nunca o vi cheirar nada suspeito. Sua obsessão sempre foi outra…
O que o empresário-detetive imaginava era a ameaça de algum marido ou amante ciumento, daí Júlio não revelar nada a Estela, sua terceira ou quarta mulher desde que chegara ao Brasil. Apesar da decadência artística Júlio continuava bem-sucedido nessa modalidade esportiva. […]
– Júlio sabe que veio me buscar?
– Sabe. Disse que quer tomar um cuba-libre com você, como nos velhos tempos.
– Espero que ele não acredite muito na coluna do Lauro de Freitas. Não sou tão bom detetive assim.
– Estamos chegando.
Estela estacionou o carro diante de um pequeno edifício de três andares. O casal morava no primeiro, cujas luzes estavam acesas.[…] A mulher abriu a porta, […] indicou um velho divã ao empresário. Foi se dirigindo ao interi or do apartamento, an unciando:
– Adão está aqui, querido!< br />O empresário-detetive largou todo o seu peso numa mirrada poltrona, que protestou, rangendo. Não conhecia aquele apartamento. Júlio, sempre que mudava de mulher, mudava também de endereço.[…]
– Quem é o senhor? – Adão ouviu de repente a voz de Estela, vinda do quarto, em tom de pavor. – O que faz aqui?
Adão levantou-se: algo de anormal acontecia.
Novamente a voz de Estela, agora num grito:
– Juuuulio!
Adão deu uns passos enquanto Estela aparecia à porta do quarto, tentando dizer alguma coisa. O detetive entrou precipitadamente. A primeira imagem que viu foi Júlio sobre a cama, ensanguentado.
Estela apontou para a janela aberta.
– Ele fugiu!
Adão correu para sala e Estela abriu a porta do apartamento. Os dois precipitaram-se para a rua, ela na frente. Logo adiante havia uma esquina, que o criminoso já devia ter dobrado. Estela segurou Adão pelo braço.
– Vamos socorrer Júlio.
Regressaram ao apartamento. A lâmina toda de uma tesoura comprida estava enterrada nas costas de Júlio. O detetive apalpou-lhe o peito. O coração já não batia nem no ritmo lento do bolero.
Enquanto a polícia não chegava, Adão dava uma olhada no quarto. Estela, em prantos, aguardava a presença do cunhado, um de seus únicos parentes. Flores notou que algumas gavetas de uma cômoda estavam abertas. O criminoso estivera procurando alguma coisa. No peitoril da janela, um pouco de terra, certamente deixada pelos sapatos do homem que saltara. E sobre o criado-mudo um copo, o último cuba-libre que Júlio não terminara de beber. Sem gelo. Quem tomaria um cuba sem gelo num calor daquele? Foi ao encontro de Estela, na sala, e a achou dobrada sobre o divã.
– Gostaria de conversar com o zelador.
– O prédio não tem zelador, apenas uma faxineira no período da manhã.
– Acha que poderia reconhecer o homem?
– Nunca mais o esquecerei – garantiu Estela. – Era baixo, troncudo e tinha os olhos puxados.
– Já o vira antes?
– Não.
Adão retornou ao quarto, para dar mais uma espiada. Dali a instantes a polícia chegou: um delegado e dois tiras.
– Não mexi em nada – disse Flores. – E cuidado com o peitoril da janela. Há terra de sapato nele. Foi por onde o criminoso fugiu.
– O senhor o viu?
– Não, mas dona Estela poderá ajudar a fazer o retrato falado dele. Ela o encontrou no quarto de Júlio.
O delegado encarou o detetive.
– Você não é um tal Adão Flores, metido a Sherlock?
– Sou esse tal, mas vim aqui como amigo, chamado por Estela. Julio tinha recebido uns telefonemas ameaçadores.
Adão deixou os tiras trabalharem e saiu do quarto. O criminoso saltara da janela para um corredor cimentado que rodeava o edifício. Para baixo o santo tinha ajudado, mas subir pela janela teria sido difícil. Certamente ele tocara a campainha e entrara pela porta. Antes, porém, pisara em algum jardim, como atestava a terra do peitoril. Havia jardim à entrada do edifício?
Um dos tiras apareceu à porta com uma pergunta.
– O senhor deixou uma ponta de cigarro no cinzeiro? Há duas lá, mas só uma é da marca que Julio fumava.
– Só fumo em reuniões ecológicas. O criminoso deve ter tido tempo para fumar um cigarro. Só pode ter sido ele, pois Estela não fuma.
Adão permaneceu no apartamento até a chegada da Polícia Técnica, quando Estela Lins, no bagaço, foi levada pelo cunhado, que, antes de sair, declarou com todas as letras:
– Julio bem que mereceu isso. Um vagabundo, um explorador de mulheres! A polícia não devia perder tempo procurando o assassino.
Já era madrugada quando Flores retornou ao “Yes-Club”. […] Contou a todos o que sucedera, recebendo em troca uma informação. Julio Barrios aparecera por lá, naquela semana, muito feliz. Uma gravadora resolvera lançar um elepê com seus maiores sucessos, Recuerdos, no qual depositava muitas esperanças. Planejava inclusive pintar os cabelos pa ra renovar o visual. E stava animadíssimo.No dia seguinte, Adão Fl ores compareceu à polícia para prestar depoimento. Estela, por sua vez, estava cooperando. O retrato falado do criminoso já estava pronto e sairia em todos os jornais. O delegado, porém, já manifestava uma suspeita.
– Não gostei da cara daquele cunhado. Estela pode até estar tentando protegê-lo.
– Não creio – replicou Adão. – Era apaixonada pelo cantor.
– Mas amores passam – comentou o delegado. – Como certas modas musicais…
Adão Flores foi ao jornal onde trabalhava Lauro de Freitas.
– Quantos quilos você pesa, Lauro?
– Acha que estou engordando?
– Que mal há nisso? Os gordos são belos.
– Setenta quilos.
– Então, venha.
– Onde?
– Você tem o mesmo peso do homem que matou Barrios, segundo declaração de Estela na delegacia.
– E isso me torna um suspeito?
– Vamos ao apartamento.
À porta do edifício, Adão identificou-se a um guarda, que vigiava o lugar desde o assassinato. Não foi fácil convencê-lo a deixar que o detetive e o jornalista entrassem no apartamento.
– Estamos aqui. E agora, Adão?
– Você vai fazer uma coisa, Lauro: saltar do peitoril da janela para o corredor.
Abriram a janela e o jornalista espiou.
– Altinho. Posso sentar no peitoril?
– Não, suba nele e salte.
– E se o pára-quedas não abrir?
– Não salte ainda. Vou para a sala. Aguarde minhas ordens, então salte e corra até a entrada do edifício.
Adão voltou para a sala, deu as instruções e ficou atento. Ouviu o baque dos pés de Lauro no cimento e, em seguida, seus passos rumo ao portão. Pouco depois, Lauro voltou à sala.
– O que quer mais? Sei plantar bananeira.
– Como atleta amador você não pode ser pago. Mas vou lhe fornecer uma bela história para sua indigna coluna. Não tire os olhos de mim. Agora vamos à gravadora Metrópole.
– Por quê?
– Porque quero pôr na cadeia a pessoa que matou o melhor intérprete de “Perfume de Gardênia”. Quem fez isso é meu inimigo pessoal. Não se apaga assim um parágrafo da História.
Adão e Lauro foram à gravadora, onde o detetive conversou com o diretor-artístico. Sim, Barrios ia gravar mesmo um elepê. Esperavam vendê-lo para uns cem mil saudosistas. E o homem fez mais, forneceu certo endereço que Flores considerou importantíssimo.
Quando os jornais revelaram o assassino de Julio Barrios, a melhor reportagem certamente foi a de Lauro de Freitas, por dentro de tudo. […]
Mas o local onde seus casos mais repercutiam era mesmo o “Yes-Club” […]. Na véspera, antes de que os jornais publicassem a solução do enigma, Adão esteve lá para contar tudo em primeira mão.
– Em que momento você começou a puxar o fio da meada? – perguntou a dona da casa.
– Sou um homem do visual, da imagem – disse Flores. – Aquele cuba-libre sem gelo me chamou logo a atenção. Julio gostava de colocar verdadeiros icebergs nas suas bebidas. Como não havia mais gelo e o copo voltara à temperatura ambiente, deduzi que o crime tinha acontecido há algum tempo. Uma hora, talvez…
– Não me parece argumento suficiente para levar a conclusões – disse um homem, provavelmente um desses invejosos que estão em toda parte.
– Certamente não foi minha única dedução. Havia aquela tesoura, arma ocasional demais para servir a um criminoso determinado, que fazia ameaças telefônicas.
O mesmo freguês, que se recusava a bater palmas para Adão, voltou a obstar:
– Usar armas da casa é um meio para implicar inocentes. Os romances policiais sempre relatam coisas assim.
– Uma tesoura não oferece segurança – replicou Flores. – A não ser que o criminoso tivesse sido um alfaiate…
Bianca tinha outra pergunta a fazer:
– Houve roubo? As gavetas estavam todas abertas, não?
– Elas não foram simplesmente abertas, algumas estavam vazias. E sabem quem as esvaziara? O próprio Julio.
– O que havia nessas gavetas? – perguntaram. – Tóxico?
– Roupas, simplesmente roupas. Encontrei-as em uma pequena mala. Mas me deixem prosseguir. O que consolidou minhas suspeitas foi uma questão de acústica.
– Disse acústica?
– Disse. Aí o nosso Lauro ajudou muito. Seu peso equivale ao do homem visto por Estela. Fui com o Lauro ao apartamento do Julio e pedi que saltasse da janela e depois corresse até o portão. Eu me plantei na sala, como na noite do crime. E ouvi perfeitamente o baque e depois os passos de seus pés no cimento. Como naquela noite eu não ouvira nada?
– Então você teve a certeza – adiantou-se Bianca.
– Faltavam ainda os motivos. Na gravadora fiquei sabendo que Barrios andava aparecendo na companhia de uma jovem, seu novo amor. E obtive o endereço dela, pois era para ela que telefonavam quando precisavam contactá-lo. Fui procurá-la. Estava muito assustada com tudo, mas acabou se abrindo. Ela e Barrios iam viver juntos. Apenas faltava-lhe fazer a mala.
– E a confissão, veio fácil? – perguntou Bianca, equilibrada em sua piteira.
– Aconteceu na própria polícia onde fora olhar alguns suspeitos na passarela. Pretexto. O delegado já aceitara meu ponto de vista. Eu próprio lhe contei minha versão: Estela surpreendera Julio quando jogava roupas na mala para sumir. Espremeu-o. Ele confessou. Ia deixá-la por outra mulher. O amor é algo inesperado e o coração é fraco. Ela não gostou da letra desse bolero. Julio vivia praticamente à custa dela. Viu a tesoura sobre a mesa. Golpeou-o p elas costas. Depois do ch oque, pensou em livrar a cara. Havia terra nu ma floreira. Levou um pouco para o peitoril da janela. Deixou as gavetas abertas como estavam. E serviu um cuba-libre ao defunto. Antes ou depois, lembrou-se de Adão das Flores. Ele tinha mania de bancar o detetive. Julio sempre ria disso. Decidiu ir buscá-lo. Se o encontrasse, a encenação seria perfeita. Quanto à segunda ponta de cigarro, ela mesma esclareceu que a apanhara no “Yes”, enquanto esperava o detetive. Queria que ficasse bem claro que outra pessoa estivera com Julio. Enquanto isso o gelo do último cuba-libre derretia, pois o cadáver não podia renová-lo.
– Ela agiu como uma perfeita atriz – comentou Bianca. – E que grande talento!
Adão concordou:
– Apenas participei como ator convidado.
Histórias de detetive
Conan Doyle, Medeiros e Albuquerque, Edgar Allan Poe, Jerônimo Monteiro, Marcos Rey e Edgar Wallace
139 páginas
PRODUÇÃO DE TEXTO
Após a leitura do conto O último Cuba-libre, de Marcos Rey, escrevam um texto curto registrando suas impressões sobre a história. Orientem-se nas seguintes questões:
Descobriram o culpado antes do final da narrativa?
Como vocês conseguiram isso?
Quais os indícios constituíram peças fundamentais para essa descoberta?
Que provas o investigador, utilizou para comprovar seu argumento sobre o culpado?
Como o personagem foi caracterizado para que pudesse ser considerado suspeito?
Qual a diferença entre personagem suspeito e personagem culpado?


3 de março de 2016

Como deveria ser os livros de poemas?

Da paginação
Os livros de poemas devem ter margens largas e muitas páginas em branco e suficientes claros nas páginas impressas, para que as crianças possam enchê-los de desenhos - gatos, homens, aviões, casas, chaminés, árvores, luas, pontes, automóveis, cachorros, cavalos, bois, tranças, estrelas - que passarão também a fazer parte dos poemas...
_______Mario Quintana - A Rua dos Cataventos






Canção da garoa -Mario Quintana
Em cima do telhado
Pirulin lulin lulin,
Um anjo, todo molhado,
Soluça no seu flautim.

O relógio vai bater:
As molas rangem sem fim.
O retrato na parede
Fica olhando para mim.

E chove sem saber porquê
E tudo foi sempre assim!
Parece que vou sofrer:
Pirulin lulin lulin...

Publicado no livro: Canções de 1.946
DORME RUAZINHA… É TUDO ESCURO!…
Mario Quintana
Dorme ruazinha… É tudo escuro…
E os meus passos, quem é que pode ouvi-los?
Dorme teu sono sossegado e puro,
Com teus lampiões, com teus jardins tranqüilos…
Dorme… Não há ladrões, eu te asseguro…
Nem guardas para acaso perseguí-los…
Na noite alta, como sobre um muro,
As estrelinhas cantam como grilos…
O vento está dormindo na calçada,
O vento enovelou-se como um cão…
Dorme, ruazinha… Não há nada…
Só os meus passos… Mas tão leves são,
Que até parecem, pela madrugada,
Os da minha futura assombração…

Do livro: Antologia poética para a infância e a juventude, Ed. Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, INL:1961.

Canção de nuvem e vento
Mario Quintana -

Medo da nuvem
Medo Medo
Medo da nuvem que vai crescendo
Que vai se abrindo
Que não se sabe
O que vai saindo
Medo da nuvem Nuvem Nuvem
Medo do vento
Medo Medo
Medo do vento que vai ventando
Que vai falando
Que não se sabe
O que vai dizendo
Medo do vento Vento Vento
Medo do gesto
mudo
Medo da fala
Surda
Que vai movendo
Que vai dizendo
Que não se sabe
Que bem se sabe
Que tudo é nuvem que tudo é vento
Nuvem e vento Vento Vento!
Publicado no livro: Canções - 1.946

"A gente não sabia"-
Mario Quintana
A gente ainda não sabia que a Terra era redonda.
E pensava-se que nalgum lugar, muito longe,
Deveria haver num velho poste uma tabuleta qualquer
— uma tabuleta meio torta. E onde se lia, em letras rústicas: FIM DO MUNDO.

Ah! Depois nos ensinaram que o mundo não tem fim
E não havia remédio senão irmos andando às tontas
Como formigas na casca de uma laranja.
Como era possível, como era possível, meu Deus,
Viver naquela confusão?
Foi por isso que estabelecemos uma porção de fins de mundo…

Publicado no livro: Nariz de vidro – 1984


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